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Brasil é o país mais perigoso para ambientalistas, diz Anistia Internacional

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Assassinatos de ambientalistas no ano de 2016. Fonte: Global Witness @globalwitness.org

O Brasil é o país do mundo que teve mais ativistas que lutam contra o desmatamento ou que defendem pequenos agricultores e sem-terra assassinados em 2016. Esta é uma das conclusões de um relatório divulgado pela Anistia Internacional nesta terça-feira (5), em Paris.


O documento mostra que, ao todo, 66 membros do Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos foram assassinados no ano passado no país, que é o mais perigoso do mundo para ambientalistas e defensores do acesso à terra. O Brasil é seguido por Colômbia, Filipinas, Índia e Honduras.

No país, lembra a Anistia Internacional, "os defensores do meio ambiente que lutam contra o desmatamento e defendem os interesses de comunidades enfrentam um lobby poderoso de empresas que exploram recursos naturais, se apropriam de terras e se opõem à reforma agrária".

Segundo o documento da Anistia, a maior parte das vítimas são indígenas e pequenos agricultores "expropriados de suas terras por interesses poderosos, ligados à exploração das riquezas naturais". A organização não-governamental constata que a situação, conhecida há vários anos, parece se agravar, principalmente "depois que as autoridades relaxaram na defesa dos direitos humanos".

Interesses privados

O relatório também constata que a intensificação dos ataques está ligada a uma tensão “que gera violência dentro das comunidades, pela ausência de uma participação efetiva de seus membros nas decisões que envolvem projetos de exploração de recursos pilotados pelos Estados ou empresas privadas.” Em outros casos, as violências são cometidas pelas forças de segurança dos Estados ou agentes de segurança particulares, que agem em nome de interesses comerciais de empresas privadas.

Entre janeiro e agosto deste ano, a violência contra militantes já causou a morte de 58 pessoas. O relatório cita o caso de dez agricultores mortos pela polícia em Pau d'Arco, no Pará, em maio, durante uma operação de desocupação de terras, e do líder do grupo de trabalhadores, Rosenildo Pereira de Almeida.De acordo com a ONG, em todo o mundo 200 pessoas foram mortas em 2016 defendendo suas terras ou o meio ambiente. Em 20 anos, a Anistia já registra 3.500 assassinatos de ambientalistas.

O novo relatório foi divulgado em meio à campanha anual do Dia Internacional de Defesa dos Direitos Humanos, celebrado no dia 10 de dezembro.