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Defesa da Amazônia é novo desafio de Lélia e Sebastião Salgado

Por Patricia Moribe

Lélia Deluiz Warnick Salgado tem uma agenda apertada, entre a organização de exposições, edição de livros de fotografia e projetos ambientais no Brasil. Sem contar a excitação pelo esperado nascimento de uma neta no Brasil. Em Paris, ela fez a curadoria das fotos de Sebastião Salgado para a exposição “Femmes du Monde”, Mulheres do Mundo, em cartaz na galeria Polka, até 20 de janeiro de 2018.
 

Do imenso acervo de Sebastião, Lélia foi puxando da memória imagens de mulheres mundo afora, imortalizadas pela lente de um dos fotógrafos mais famosos da atualidade. Ela aponta para uma de suas preferidas, feita na Guatemala, dos anos 1970. Uma parede de madeira domina mais da metade da foto, com uma janelinha ao alto feito um espelho, mostrando o rosto de uma mulher. Uma menina passa do lado esquerdo, abaixo, com uma bandeja de maçãs do amor na cabeça. “Gosto muito desta foto, da composição. De um lado a prostituta, de outro a menina, a inocência, a maçã do amor”, diz Lélia.

Guatemala, 1978. ©Sebastião Salgado

Imortal das artes

Sebastião Salgado foi recentemente empossado como integrante da Academia de Belas Artes na França, uma honraria excepcional, com direito a fardão e espada. No discurso de apresentação da carreira de Salgado, o colega francês Yann Arthus-Bertrand falou várias vezes sobre o elo não só amoroso, como profissional entre Sebastião e Lélia, que se conheceram em Vitória, quando ele tinha 20 anos (hoje ele tem 73) e ela, apenas 17. O novo imortal teve de enxugar várias lágrimas.

Lélia conta que comprou uma câmera para registrar seus trabalhos de arquitetura e urbanismo. “Ele adorou e eu não conseguia nem mais tocar na câmera, ele queria sempre fazer as imagens”, relata. A partir desse acaso, passando por um laboratório improvisado no apartamento do casal na Cité Universitaire de Paris, a paixão de ambos pela fotografia mudou o rumo de suas vidas. Ela chegou a percorrer agências de Paris numa moto, para vender as fotos de Sebastião.

Fotos e meio ambiente

Com o nascimento do segundo filho Rodrigo, portador da síndrome de Down, Lélia deixou um pouco de lado o trabalho como urbanista para ficar em casa. Aproveitando o “tempo em casa, sem trabalhar fora", ela aproveitou para arrumar os arquivos de Sebastião, que estava indo para a agência Magnum. Foi um passo para organizar os arquivos de outros fotógrafos, editar livros e montar exposições.

Depois da bem-sucedida experiência do Instituto Terra, ONG que o casal fundou para recuperar áreas degradadas na região do Vale do Rio Doce, o novo desafio agora é a Amazônia. O assunto apaixona Lélia, que não esconde o entusiasmo:

“É um projeto de recuperação da Amazônia, para que ela seja sustentável para as populações locais – ribeirinhos e indígenas. Sebastião está fazendo fotos das tribos indígenas, bastante ameaçadas. Até as terras demarcadas estão sendo invadidas. Se não tomarmos cuidado, daqui a 30 anos a Amazônia não vai mais existir. O projeto consiste em fazer com que as populações locais ganhem retorno financeiro com a produção sustentável de alimentos, cosméticos, medicamentos. E que elas também sejam os próprios vigilantes da floresta”.

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