rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

"Nossa dívida pública é alimentada por mecanismos fraudulentos", alerta ONG da Dívida

Por Maria Emilia Alencar

Desde o pagamento da indenização pela Independência até os dias de hoje, passando pela construção de Brasília e o suposto Milagre Econômico Brasileiro da ditadura militar, o Brasil deve. Deve muito, sem saber jamais quando poderá pagar. Na melhor das hipóteses, contratamos novos empréstimos para pagar os juros das dívidas interna e externa, enquanto continuamos a empurrar o passivo com a barriga. Esse eterno pagar de dívidas, em que passamos as décadas correndo para apagar o incêndio, tem um alto custo social à medida em que se deixa de investir na população para pagar aos bancos. Contra tudo isso, Maria Lúcia Fattorelli luta há 17 anos, como coordenadora nacional da ONG Auditoria Cidadã da Dívida.

“A nossa organização é um movimento social aberto à participação de todas as pessoas”, explica Fattorelli em entrevista à RFI. “99% do nosso pessoal é composto por voluntários e voluntárias, dentro e fora do Brasil. Nós nos dedicamos a decifrar a dívida pública brasileira. Porque essa dívida é paga por todos nós, de várias formas. Ela é paga através dos elevados tributos que pagamos, e também pela subtração de direitos sociais que são continuamente cortados para que sobre mais recursos para se pagar a dívida. Além disso, a dívida tem sido a desculpa, a justificativa, para contínuas privatizações do patrimônio público. Nós entregamos nossas riquezas, nossas empresas, com a desculpa de se pagar a dívida. Então, nós temos que saber que dívida é essa!”.

Taxas de juros no Brasil

“As taxas de juros praticadas no Brasil são, de longe, as mais elevadas do planeta. Esse é um os principais fatores de crescimento da própria dívida. Há 17 anos nós investigamos a dívida pública brasileira, interna e externa. Nós descobrimos que as dívidas têm sido geradas por mecanismos que não tem nada a ver com o que as pessoas pensam. Todos nós pensamos que uma dívida se cria a partir de um ingresso de recursos. Mas não é isso que acontece. A dívida tem sido gerada por mecanismos financeiros fraudulentos! E, depois de gerada, ela se multiplica por ela mesmo por causa das elevadíssimas taxas de juros. Nós contratamos novas dívidas para pagar dívidas anteriores, multiplicadas por elas mesmas em função dos juros abusivos”, conta Fattorelli.

O sistema financeiro

“Só justificaria contratar uma dívida pública se o recurso fosse aplicado em benefício da população. Não é isso o que vemos. Vemos dívidas surgindo de mecanismos que remuneram, no Brasil, diariamente, a sobra de caixa dos bancos. O lucro dos bancos no Brasil é incomparável com qualquer outro país no mundo. Atualmente, a quarta parte da chamada dívida interna, cerca de R$ 1,2 trilhão, é empregada em operações do Banco Central para justificar a sobra de caixa diária dos bancos”.

Próximos passos

“Por pressão nossa o Senado aprovou um requerimento ao Tribunal de Contas da União. Pela primeira vez o Tribunal de Contas da União está fazendo uma auditoria da dívida interna. Mas a nossa luta continua”, encerra Fattorelli.

Clique no box abaixo para assistir na íntegra à entrevista de Maria Lúcia Fattorelli.

Festival franco-brasileiro Curta com Teatro celebra cinco anos de exibição de peças e filmes

Viagens do surrealista francês Benjamin Péret pelo Brasil são tema de livro

Mario Bakuna fala sobre tocar clássicos russos com “pegada brasileira”

Startup carioca alia tecnologia de ponta e fornecedores franceses para criar produtos 100% recicláveis

Falhas do Estado explicam aumento de apoio à pena de morte no Brasil, diz pesquisador da HRW

"As pessoas bebem café gourmet em busca de status social", revela sociólogo brasileiro

Guilherme Pimentel: "O WhatsApp é uma ferramenta de denúncia da violência policial no Rio"

"Condenado, preso ou livre, Lula é fator mais relevante da eleição 2018”, diz cientista política

“Me sinto adotado pelos músicos brasileiros”, diz violinista francês Nicolas Krassik

"É urgente transformar o consumo", diz estilista brasileira vencedora de prêmio em Paris

“Lisboa é uma ‘cidade resort’”, afirma membro de associação turística

Sommelière ensina como economizar na hora de escolher vinhos para o Natal

"Trabalhar com cultura piorou muito desde o golpe", diz a coreógrafa Lia Rodrigues

"Número de suicídios de adolescentes cresce no Brasil", revela Marlene Iucksch