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Viagens do surrealista francês Benjamin Péret pelo Brasil são tema de livro

Por Elcio Ramalho

O livro “As artes primitivas e populares do Brasil”, (Editions de Sandre), lançado recentemente na França, reúne imagens inéditas e textos realizados pelo escritor e poeta surrealista francês Benjamin Péret durante suas viagens por diversos estados brasileiros nos anos 1950.

De volta à França, o intelectual tinha um projeto de publicar os relatos de sua experiência e as inúmeras fotografias de manifestações populares e primitivas recolhidas em suas expedições a comunidades pelo interior do país e visitas a museus.

No entanto, dificuldades em encontrar um editor fizeram com que o autor, morto em 1959, não visse a obra publicada. Quase cinquenta anos depois, especialistas e estudiosos do percurso do polêmico artista do surrealismo reuniram o material e prestaram uma homenagem póstuma a Péret, considerado um dos maiores incentivadores da divulgação das artes que considerava expressões genuínas da cultura brasileira.  

“Benjamin Péret foi um dos pioneiros. Até os anos 50, não existia muita coisa. O [Claude] Lévy-Strauss tinha uma certa coleção de objetos indígenas que tinha trazido de suas expedições etnográficas dos anos 30. Elas existiam e estavam expostas, mas era apenas objetos indígenas. Na França, objetos pré-colombianos não existiam e objetos populares também não eram comuns. A elite não conhecia”, lembra a professora de Literatura Comparada Leonor Lourenço de Abreu, uma das responsáveis pela publicação do livro.

“A elite não tinha muita apetência para as artes populares. Péret era um poeta surrealista e os surrealistas buscaram nessa alteridade fora dos padrões ditos estéticos e morais, os modelos para sua arte poética e estética”, diz.

Autora do posfácio da obra, a especialista assina um texto em que relembra a forte relação que Péret estabeleceu com o Brasil.

Nascido na região de Nantes, oeste da França, Benjamin Péret se envolveu desde cedo com o movimento surrealista. Em Paris, se apaixonou e casou com a cantora brasileira Elsie Houston, cunhada do crítico de arte Mario Pedrosa, e foi introduzido no círculo intelectual do qual fazia parte, por exemplo, a pintora Tarsila de Amaral e o escritor Oswald de Andrade.

“Em 1929, Péret desembarcou pela primeira vez no Brasil com o objetivo de estudar os índios, viajar pela Amazônia e publicar filmes e até fazer filmes etnográficos, além de pesquisas étnico-musicológicas de índios e dos afro-brasileiros na Bahia”, recorda Leonor.

Os projetos da época não vingaram. O francês se separou da mulher e deixou um filho no país, que expulsou o simpatizante trotskista por suas atividades políticas vinculadas à Liga Comunista. Péret viveu exilado no México e  voltou no país natal antes de uma segunda temporada no Brasil a partir de 1955 para conhecer o filho e resgatar os projetos abortados.

Périplo pelo interior do país

Durante dois anos, lembra a professora Leonar Lourenço de Abreu, Péret percorreu a Amazônia e vários estados brasileiros, como Ceará, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais em busca de contato com pontos de criação de arte popular e indígenas.

“Nos anos 50 houve grandes descobertas arqueológicas na região de Marajó e em Santarém. Péret ficou extremamente interessado por essas descobertas, que mostraram que no Brasil havia tido civilizações pré-colombianas”, lembra a especialista.

Em sua estada, Péret esteve com tribos indígenas amazônicas, conheceu coleções de arte particulares, conviveu com artistas populares do Norte e Nordeste.  

O fruto das inúmeras viagens deu origem a três artigos que publicou sobre as artes pré-colombianas do Brasil, e da cultura de Marajó e de Santarém, ilustrados com fotografias de peças.

No entanto, centenas de imagens de muitos objetos foram guardadas para o projeto de publicar o livro sobre artes primitivas e populares do Brasil, das quais excluía as artes sacras e monumentais.

“As fotografias ficaram inéditas”, lembra a professora ,que também integra a Associação dos Amigos de Benjamin Péret. A Associação, juntamente com o historiador de arte Jérôme Duwa e a editora Sandre conseguiram legendar e identificar as fotos para situar, segundo Leonor, “o valor antropológico e estético da obras de Péret”.

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