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Revista Brésils inaugura edição bilíngue com dossiê sobre parques e jardins

Por Elcio Ramalho

Dirigida pela historiadora Mônica Raisa Schpun, integrante do CRBC (Centro de Pesquisas do Brasil Colonial e Contemporâneo, na sigla em francês) da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, a revista Brésils ganhou no mês de janeiro sua primeira edição em português.

Desde que foi criada, em 2012, a revista dedica seus números a um conjunto de artigos de pesquisas sobre temas variados do país, publicados originalmente em francês.  

A 12ª edição, a primeira bilíngue, foi totalmente dedicada ao dossiê “Parques e Jardins”, feito em colaboração com a revista brasileira Os Anais do Museu Paulistas, responsável pelos textos em português.

Elaborado por pesquisadores, mas aberto ao público em geral, os trabalhos sobre jardins e parques urbanos no Brasil são apresentados sob uma perspectiva histórica.

“O lado inovador do dossiê é que procuramos nos afastar um pouco de tendências da história da arte mais tradicional, que olha os jardins e o paisagismo do Brasil sob uma perspectiva formalista demais. Fomos buscar o que estava envolvido no fazer dos jardins, os artesãos e profissionais que davam forma para esses jardins, pessoas muitas vezes invisíveis”, explica Schpun, diretora editorial da Brésils.   

Os trabalhos publicados na edição buscaram também situar as práticas de construção e transformação dos jardins ao longo do tempo.

“Muitos artigos contemplam o século 19, época em que surgiram os primeiros jardins públicos brasileiros até chegar ao período contemporâneo, onde entra em questão da ‘patrimonialização’ e preservação dos jardins. Nesta discussão entram aspectos como a vegetação, que é mutável e se transforma com as estações e o ritmo de vida das plantas”, acrescenta a historiadora.

Os textos discutem até a lógica dos tombamentos desses espaços verdes, que incluem as tensões criadas pela relação entre proteção do patrimônio paisagístico dos jardins e a pressão de setores econômicos vinculados ao mercado imobiliário.

“O mercado imobiliário está engolindo cada vez mais esses espaços, muitas vezes centrais e valiosos. A questão da terra é jogo muito complicado nas grandes metrópoles”, denuncia a especialista.

Revista Bresil journals.openedition.org

  

Aterro do Flamengo e “cascateiros”

Um exemplo citado na revista bilíngue online é o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, que contribuiu para que o a cidade recebesse em 2016 o título de paisagem cultural urbana declarada Patrimônio Mundial pela Unesco.

As investigações da historiadora Márcia Chuva revelaram os desafios para o processo de tombamento do parque, feito em 1965, e questões relacionadas com o uso da frequentação e o direito da população carioca de frequentar o espaço e as tensões criadas pela ocupação do local com eventos esportivos, por exemplo.

“A ocupação do espaço gerou tensão. O Aterro teve o tombamento decretado no momento de sua fundação. A gente tem a imagem de que só é tombado coisas antigas, para proteger algo que está ameaçado. O grupo que criou o espaço quis tombá-lo no momento de sua criação, o que foi uma coisa única”, destaca.  

Outro texto, da pesquisadora Cristiane Magalhães, resgata a presença dos “cascateiros”, artesãos do século 19 que trabalhavam principalmente de maneira anônima na construção de obras e objetos decorativos ornamentais. A especialista percorreu jardins públicos e privados de São Paulo e Minas Gerais para concluir sua pesquisa.  “Eles faziam no cimento armado obras que imitavam o relevo da vegetação,  troncos de árvores, grutas, chafarizes, bancos e mesas. As obras, muitas vezes, eram uma imitação da natureza”, revela.

Desse trabalho, Schpun destaca um dos elementos mais valiosos desse resgate histórico.

“Ela retomou os aspectos técnicos e tecnológicos desses artesãos que vieram ao Brasil nas ondas de imigração da França e de Portugal. Eles desenvolveram técnicas que ornamentaram os jardins públicos e também privados que surgiam no país. Esses ‘cascateiros’ ofereciam seus trabalhos nos jornais do final do século 19”, lembra a historiadora.  

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