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França tem maior crise de guardas de prisão em 30 anos

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A ministra da Justiça, Nicole Belloubet. REUTERS/Gonzalo Fuentes

A greve de agentes penitenciários na França é o principal destaque da imprensa francesa nesta terça-feira (23). Após nove dias de paralisação, ficam evidentes as dificuldades de negociação da ministra da Justiça do governo Macron, Nicole Belloubet.


O jornal Le Figaro diz que as prisões atravessam uma crise que o país não via há 30 anos, por causa da série de agressões de detentos radicalizados contra agentes penitenciários. Na avaliação do jornal conservador, a situação é extremamente grave porque expõe um problema de fundo que as autoridades não sabem como resolver, isto é, de que maneira combater o proselitismo fundamentalista islâmico no sistema penitenciário.

A influência do grupo Estado Islâmico sobre uma parcela dos prisioneiros, agravada pelo aumento do número de detentos indiciados por terrorismo, desde a onda de atentados de 2015, não foi acompanhada por medidas para combater os desafios dessa situação complexa nos presídios.

O jornal Les Echos explica que a presença dessa nova categoria de prisioneiros radicalizados, em contato direto com o pessoal, cria um ambiente de ansiedade generalizado. Nos últimos meses, 500 pessoas que retornaram da Síria foram encarceradas na França, elevando para 1.200 o número de detentos radicalizados nas penitenciárias do país.

Monitorados do exterior para promover ataques

Os sindicatos da categoria reivindicam a construção de alas reservadas para essa população específica, considerada mais perigosa, principalmente porque movimentos jihadistas têm estimulado, de fora da prisão, ataques contra os funcionários do Estado.

A ministra da Justiça, Nicole Belloubet, propôs a contratação de 1.100 novos carcereiros, mas a proposta está longe de resolver o problema de fundo da radicalização islâmica nas celas. Os agentes querem mais segurança no cotidiano, quando vão acompanhar os detentos no banho de sol, por exemplo.

Dados da administração penitenciária mostram que as agressões contra os guardas são frequentes e chegam a 11 por dia, em média, em todo o país. Eles também reivindicam um aumento de salário.

No início da carreira, um agente penitenciário francês ganha, em valores aproximados, pouco mais de € 1.400 líquidos, cerca de R$ 5.400, e pode chegar a uma remuneração de € 2.500 (R$ 9.800) após 20 anos de trabalho. Esses valores levam em conta a periculosidade, mas não o adicional noturno, majoração por trabalho no domingo e outros bônus. Para os sindicatos, o salário de base é muito baixo, próximo do salário mínimo de € 1.152 líquidos.