rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

Julgamento de Lula "tem base mais política do que judiciária", diz historiadora francesa

Por Daniella Franco

No RFI Convida desta terça-feira (23), conversamos com Juliette Dumont, professora de História do Instituto de Altos Estudos da América Latina (Iheal) e presidente da Associação para a Pesquisa sobre o Brasil na Europa (Arbre). Ela comenta como os brasilianistas franceses veem o julgamento em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ocorre na quarta-feira (24) em Porto Alegre.

Para Juliette Dumont, não há dúvidas: "há uma consciência de que esse julgamento tem uma base mais política do que judiciária". A professora e pesquisadora preside a Arbre, associação sediada em Paris que reúne brasilianistas de toda a Europa e promove a pesquisa em ciências humanas através de seminários e simpósios.

Segundo ela, a associação acompanha os acontecimentos políticos do Brasil "para tentar compreender essa crise que não é só política, mas também é econômica, social e moral". Um dos objetivos dos debates que promove é analisar o papel do Poder Judiciário no Brasil, que segundo ela, "teatralizou sua atuação". "Seu papel está sendo de um protagonismo muito forte. O Judiciário se tornou o poder que assumiu o destino do Brasil", reitera.

Por isso, para a historiadora, o combate à corrupção - bandeira assumida pelo Judiciário brasileiro -, mostra que também há um "lado obscuro". "Estamos tentando explicar que esse combate à corrupção não é algo exatamente positivo e reflete uma decomposição do sistema político brasileiro."

Semipresidencialismo é "semi-solução"

Juliette Dumont acredita que uma prova da necessidade de uma reforma “profunda” do sistema político brasileiro é, segundo ela, a tentativa de desviar a atenção da opinião pública em um delicado momento no país com propostas como a do semipresidencialismo. A ideia vem sendo defendida pelo presidente Michel Temer e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

"O semipresidencialismo é uma semi-solução. É uma resposta do PMDB e da direita brasileira que, por enquanto, não têm um verdadeiro candidato [para as eleições de outubro]. Então seria uma maneira de conservar o poder, sem dizer que se está negando a democracia e as eleições presidenciais", afirma.

De acordo com a historiadora, a crise das democracias representativas, protagonizada por boa parte dos países ocidentais atualmente, dificulta as projeções dos brasilianistas para o futuro. "Mas como são dinâmicas globais, as soluções também vão emergir globalmente", prevê. Como exemplo de fenômenos vividos em conjunto, ela cita a ascensão nas Américas e na Europa de movimentos conservadores e da extrema-direita - no Brasil, representada pela figura de Jair Bolsonaro.

Juliette Dumont destaca os encontros promovidos por movimentos e lideranças da esquerda brasileira, latinoamericana, norte-americana e europeia. "É ampliando esse diálogo que poderemos avaliar de maneira global os desafios deste século 21, tanto politicamente como economicamente. Se há uma expectativa é a de diálogo, para podermos enxergar um futuro e sair deste impasse", finaliza.

“PT não promoveu alfabetização política no Brasil”, diz Frei Betto

Cineasta Marcelo Novais lança em Paris um “diário íntimo de uma geração”

Incêndios e barricadas substituíram greves como forma de protesto na França, diz especialista

Representante dos delegados da Polícia Federal diz ser contra banalização das armas no Brasil

Lia Rodrigues volta à Paris com “Fúria”, coreografia com moradores da favela da Maré

Militares nomeados por Bolsonaro são mais moderados do que ministros, diz Leonardo Sakamoto

“Comunidade internacional espera responsabilidade ambiental do Brasil”, diz especialista

“Muita gente procurava uma confeitaria menos doce”, diz chef francês radicado em Brasília

Paris recebe Bazar de Natal com artesanato de mulheres de favelas cariocas

Fotógrafo brasileiro lembra 30 anos da morte de Chico Mendes com exposição em Paris

Músicos Francis e Olivia Hime homenageiam Vinicius de Moraes na França

“Ser estrangeiro me fez escritor”, diz Natan Barreto, que lança livro de poesias em Paris

“Discurso de Bolsonaro legitima ‘direito de matar’”, afirma professora da Universidade de Brasília

Ex-ambulante brasileiro fala para 400 estudantes na Europa: “Seja parte da solução, não do problema”

“Romances em quadrinhos estão em momento especial”, diz ilustradora Luli Penna

“Sociedade civil é quem vai mudar o Brasil”, diz empresária Luiza Trajano em Paris

“É preciso regulação para que investigações sobre fake news não demorem anos”, diz especialista