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Brasil concorre entre independentes em festival de HQ na França

Por Patricia Moribe

Angoulême, a 500km a sudoeste de Paris, vira a capital internacional dos quadrinhos e do desenho animado a partir desta quinta-feira (25), até domingo (28). É quando artistas, editores e leitores do mundo inteiro se reúnem para fazer contatos, divulgar novas obras e trocar ideias.

Enviada especial a Angoulême

O Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême também distribui prêmios importantes, que podem vitaminar vendas e descobrir talentos. O Brasil este ano não concorre nas categorias principais, mas tem três fanzines disputando o prêmio de publicação independente: Maria Magazine, Café Espacial e Amor em Quadrinhos.

O “prix de la BD alternative », com 31 concorrentes este ano, contempla a melhor revista coletiva de vários autores diferentes, realizada de maneira independete, ou seja, um modo “fanzine” de produção.

Os fanzines já não são mais revistas mimeografadas ou fotocopiadas das décadas de 70 ou 80, mas ainda refletem o espírito empreendedor e criativo dos quadrinhistas para divulgar seus trabalhos.

Os concorrentes brasileiros ao prêmio independente são:

1) Maria Magazine número 9

Maria Magazine. ©DR

Sérgio Magalhães é um veterano de fanzines e editor de Maria Magazine:

“Maria é uma personagem que eu criei em 1975 e publiquei em vários jornais da Paraíba e em revistas independentes nas décadas de 70 e 80, álbuns. Tem também alguns estudos acadêmicos sobre a contribuição de Maria para o humor, para a crítica à política nacional. A partir do ano 2000, eu retomei a publicação da revista, mas agora como Maria Magazine, porque é uma edição coletiva, não só de Maria. É uma variedade de personagens de outros autores, a maioria da Paraíba, e por isso eu chamei de magazine, que dá essa ideia de diversidade. A proposta da revista é ser uma revista de humor, de tiras, de vários personagens, tanto paraibanos, quanto de outros Estados".

2) Café Espacial:

Café Espacial. ©DR

Sérgio Chaves é o responsável pela Café Espacial:

“Comecei a produzir fanzines no final dos anos 90. A Café Espacial surgiu em 2007, a partir do meu encontro com a jornalista Lídia Basoli. Eu acredito que qualquer produto independente, incluindo os fanzines, tem uma grande importância no aspecto de criação. O autor, quando toma esse caminho, ele tem total autonomia para criar, independente de mercados. A grande força dos fanzines está aí. Quando a pessoa se propõe a fazer algo mais comercial, ela acaba ficando refém de vendas, de público. O fanzine não tem essa preocupação.”

3) Amor em Quadrinhos:

Amor em Quadrinhos. ©DR

Através de um crowdfunding, Milena Azevedo publicou "Amor em Quadrinhos", uma adaptação em quadrinhos dos poemas de Glácia Marillac. Cada poema foi “lido” por um quadrinhista, que transcreveu palavras em imagens, sem texto. Milena explica:

“Dos 108 poemas do livro, selecionei 15, também pela questão de conseguir desenhistas. Feito o projeto, colocamos num site de financiamento coletivo e assim pudermos ter a verba para a publicação”.

O vencedor – ou a vencedora - na categoria alternativa do Festival de Angoulême será anunciado neste sábado (27).

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