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Lula foi ferido, mas não está morto, diz jornal Libération

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Os jornais franceses tentam prever o futuro político do ex-presidente Lula REUTERS/Leonardo Benassatto

Os jornais franceses desta sexta-feira (26) continuam repercutindo o julgamento do ex-presidente Lula e se concentram no futuro do líder petista, depois da sua condenação na quarta-feira (24), em segunda instância, a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.


"No Brasil, Lula condenado, mas candidato simbólico" é a manchete do jornal Libération. Para o diário, o ex-presidente está ferido, "mas não está morto". Segundo suas próprias palavras, pretende lutar por sua sobrevivência política até o dia de sua morte, destaca Libé.

O jornal acredita, no entanto, que Lula está agora mais perto da prisão do que do Palácio do Planalto, embora tenha entre 34% e 37% das intenções de voto para a eleição presidencial de outubro, ressalta. "Em 40 anos de uma extraordinária trajetória política, o ex-sindicalista, menino pobre que se tornou por dois mandatos o carismático presidente de uma das maiores democracias do planeta, nunca conheceu uma derrota" como a de quarta-feira, publica o diário. 

Lula livre

O jornal La Croix acredita que a confirmação da condenação do líder petista é uma má notícia mas, por enquanto, "Lula continua livre". Os advogados do ex-presidente ainda podem recorrer e estender o caso até 15 de agosto, data limite para se candidatar à eleição. "Em um contexto de forte divisão, 2018 pode ser um dos anos mais agitados desde o retorno da democracia ao Brasil, em 1985", escreve La Croix

"Brasil: a presidência se afasta de Lula" é a manchete do jornal Le Figaro. A decisão do Tribunal Regional Federal da 4a Região embaralha ainda mais as cartas para as indefinidas eleições de outubro, afirma o diário, lembrando que quase todos os dirigentes políticos do Brasil - especialmente o presidente Michel Temer - estão descredibilizados por acusações de corrupção.  

Discurso de esquerda assusta investidores

O jornal Les Echos analisa a reação dos mercados após o julgamento do ex-presidente. "A Bolsa brasileira aplaude a condenação de Lula" é a manchete do diário. O correspondente do Les Echos no Brasil explica que a Bolsa de Valores de São Paulo bateu um recorde histórico na quarta-feira, registrando uma alta de 3,7% após o anúncio da decisão dos juízes em Porto Alegre. 

Segundo o diário, o mercado não vê com bons olhos a radicalização do discurso de Lula, que promete revogar todas as reformas de austeridade realizadas pelo atual governo, caso seja eleito. Se a administração do líder petista foi considerada positiva pelos investidores, o atual discurso, "muito mais de esquerda", é rechaçado pelos mercados, diz Les Echos.

Já o jornal Le Monde destaca em seu site que Lula está impedido - por uma decisão de juiz federal, anunciada na noite de quinta-feira (25) - de deixar o Brasil. Ele deveria viajar à Adis Abeba, na Etiópia, para uma conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Uma ordem judicial exige que o ex-presidente, inclusive, entregue seu passaporte às autoridades. Segundo Le Monde, a Justiça teme que Lula faça um pedido de asilo político no exterior.