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Carnaval revela essência da sociedade brasileira, diz antropólogo Roberto DaMatta

Por Márcia Bechara

Ele é professor titular de Antropologia Social do Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e professor emérito da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. O RFI Convida nesta segunda-feira (12) o antropólogo Roberto DaMatta, autor, entre outros, do livro “Carnavais, malandros e heróis”.

(Para ouvir a entrevista na íntegra com o antropólogo Roberto DaMatta, clique na foto acima)

“O carnaval de certo modo revela o fundo da sociedade brasileira”, diz o antropólogo Roberto DaMatta. "Ele inverte, traz o fundo do poço para cima, como virar uma bolsa de cabeça para baixo ou uma roupa do avesso”. Na sociedade brasileira, “onde tudo é proibido”, Roberto afirma que momentos de liberação sempre se fizeram necessários. “[O Brasil é] uma sociedade que teve também reis, imperadores, que teve uma aristocracia pesadíssima com escravidão negra, uma sociedade que é patronal, familística, e que, como em quase todas as sociedades tradicionais, estavam inscritos na dinâmica destas sociedades determinados momentos orgiásticos, onde se podia fazer tudo", diz.

"Evidentemente está acontecendo uma mudança, é popular. E popular no Brasil não tem a ver com cidadania, como no caso francês – foi o povo quem fez a Revolução Francesa", afirma. "Acho que nos últimos anos a ênfase na escola de samba diminuiu, e acho que vai diminuir mais, por causa do problema com a política, o populismo”, avalia o especialista.

“Não haverá mais dinheiro para distribuir para a escola de samba, e esse carnaval que aparece nos blocos, um carnaval atomizado como sempre foi – várias coisas acontecendo ao mesmo tempo – tira a centralidade das escolas de samba, o que é uma mudança razoável", diz o antropólogo.

A politização da avenida em 2018

“O que acontece neste carnaval, mais claro ainda que no ano passado, é que, com a expansão de uma ética igualitária e dos novos dilemas que se colocam em uma sociedade democrática, com liberdade conjugada com igualdade, aparece o chamado politicamente correto dentro desta nova ética, muito falado no Brasil”, analisa DaMatta.

“Existe hoje um controle das músicas e da própria propaganda do carnaval. A nudez feminina começa a ser controlada, pois não se pode mais mostrar a mulher como objeto sexual. E os elementos políticos de diversos matizes começam a aparecer também nos desfiles e nos enredos das escolas de samba, como apareciam de uma outra maneira durante o regime militar, onde então se mostrava uma sensualidade ou uma sexualidade mais explícita, que ofendia a moral da classe média daquela época, e sobretudo da direita brasileira que estava no governo”, pontua.

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