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Netanyahu aceita convite de Aloysio Nunes para visitar o Brasil ainda este ano

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Netanyahu: primeira visita de um primeiro-ministro israelense ao Brasil. REUTERS/Amir Cohen

Em seu segundo dia de visita a Israel, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, afirmou esperar em breve uma visita do primeiro-ministro e chanceler de Israel, Benjamin Netanyahu, ao Brasil.


Da nossa correspondente em Tel Aviv, Daniela Kresch

O chanceler afirmou que Netanyahu aceitou o convite feito a ele em encontro nesta terça-feira (27) em Jerusalém, reiterando o aceno anterior feito em setembro de 2017 pelo presidente Michel Temer, que se encontrou com o premiê israelense na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Se realmente for confirmada, será a primeira visita de um primeiro-ministro de Israel ao Brasil. Netanyahu foi, em 2017, a Argentina, Colômbia e México, mas, na ocasião, não passou pelo Brasil.

Antes das eleições

A data da visita está sendo negociada, mas, segundo o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, aconteceria em junho. Isso porque Netanyahu não teria interesse em visitar Brasília durante a campanha eleitoral antes das eleições presidenciais, em outubro. Mas, para Aloysio Nunes, não haveria restrição de data:

“As eleições não vão atrapalhar. A relação do Brasil com Israel não é uma vexata quaestio, não é uma questão que divida opiniões, no Brasil. Há uma enorme simpatia por Israel no Brasil e vice-versa”.

Brasil, pró-Israel

O chanceler Aloysio Nunes também afirmou que o Brasil não vai mais votar automaticamente contra Israel em moções em fóruns internacionais. Historicamente, o Brasil se alinha a países árabes, em votações na ONU e na Unesco, as quais criticam duramente Israel pela existência de assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental – territórios que os palestinos anseiam declarar como um Estado independente.

“O Brasil tem uma posição sobre esse conflito já estabelecida há muitos anos, que é buscar a solução pacifica, negociada, que garanta a existência de dois Estados que convivam pacificamente com fronteiras seguras. Muitas das votações decorrem dessa postura. Agora, em nossa gestão atual, não temos nenhum parti pris, não queremos votar automaticamente por simplesmente colocar as questões no piloto automático”.

Fazendo as pazes

Aloysio Nunes foi recebido em Israel pela cúpula política do país, o que reflete o interesse dos dois países em aprofundar o relacionamento econômico e diplomático depois do mal-estar causado pela rejeição, pelo governo Dilma Roussef, de um embaixador apontado por Netanyahu para Brasília. O caso levou a um esfriamento nas relações entre 2015 e 2017.

O ministro se reuniu também com o presidente de Israel, Reuven Rivlin, com o ministro da Cooperação Regional, Tzachi Hanegbi, e com o Líder da Oposição, Yitzhak Herzog.

De Israel à Palestina

Nesta quarta-feira, Aloysio Nunes visitou a usina de dessalinização de Soreq, no Sul de Israel, a maior do país e uma das maiores do mundo. Atualmente, 75% da água potável consumida pelos israelenses são provenientes do processo de dessalinização.

“Me ocorreu fazer uma aproximação da nossa Agência Nacional de Águas e a equivalente israelense nessa matéria. O custo da energia é o mais pesado, 60% do custo da água produzida. Mas há formas de produção de energia no próprio processo de dessalinização. Temos que aprender tudo isso”, disse o chanceler.

Nesta quinta-feira, Aloysio Nunes vai à Palestina, onde se encontrará, em Ramallah, com o presidente Mahmoud Abbas. No sábado (3 de março) partirá para a Jordânia e terminará o giro no Oriente Médio no Líbano, na segunda (5 de março).