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Mobilização internacional pode ajudar elucidar a morte de Marielle, diz deputado Chico Alencar

Por Elcio Ramalho

 

As circunstâncias da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), na noite desta quarta-feira (14), no Rio de Janeiro, revelam que os autores foram “ousados” e confiam na impunidade, segundo análise do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ).

Amigo da vereadora assassinada brutalmente por tiros disparados enquanto ela e uma assessora estavam dentro de um carro, Alencar teme que as investigações não levem aos verdadeiros culpados, devido ao poder do crime organizado nas diferentes esferas do poder.

 “Todos os indícios, muito robustos, revelam um crime de execução, preparado e intencional”, afirma o deputado ao se referir à ação que matou a vereadora e o motorista Anderson Gomes. Uma assessora de Marielle sobreviveu e já prestou depoimento à polícia.

O local onde foi executado o assassinato, no centro da cidade, área de muito movimento e nas proximidades de instituições públicas como a prefeitura e uma unidade do departamento de trânsito, revela não apenas uma “ousadia” dos autores, mas a certeza de que ficarão impunes, na opinião do deputado.

As circunstâncias do crime não deixam dúvidas de que o assassinato visou calar uma ativista política e militante pelas causas feministas e dos negros. “Marielle era bastante combativa denunciando uma polícia criminosa nas favelas e áreas pobres, milícias, todo um conjunto de violências oficiais. Ela não gozava da simpatia de muitas máfias e no Brasil, muitas que atuam desta maneira, de eliminar oponentes”, afirma o deputado.  

Crime organizado

Na entrevista à RFI Brasil, Chico Alencar manifestou prudência e desconfiança quando questionado sobre a possibilidade de uma transparência total das investigações e da apuração do crime “Acredito, desconfiando.  Aposto na medida em que o chefe da Polícia Civil vai tratar seriamente da apuração. Não podemos considerar que tudo será apurado como deveria ser pelo histórico deste tipo de investigação no Brasil e pelo poder de quem possa estar envolvido neste crime bárbaro”, diz, citando uma estatística de que 90% dos crimes no país não são totalmente solucionados.  Para o deputado, a tarefa de trazer toda a verdade à tona se deve ao fato de que os eventuais responsáveis pelo crime tenham ramificações nas diferentes esferas da sociedade.

“Eles têm conexões com o aparato do Estado, uma blindagem natural porque no país o crime organizado começa nos Palácios do poder, atravessam as penitenciárias onde vivem os que estão sob custódia do Estado e chegam até aqueles que apertam os gatilhos”, disse.

Apesar da grande repercussão nacional e internacional do crime no Rio, o deputado não escondeu o temor de que o assassinato de Marielle, a quinta vereadora mais votada nas últimas eleições na cidade do Rio de Janeiro,  não seja totalmente esclarecido.

“Temo, mas se a gente conseguir uma mobilização permanente e internacional deste caso, ele vai ser elucidado e pode ser tornar um primeiro passo para combater efetivamente as máfias e bandas podres dos grupos de extermínio, dos policiais e milicianos, além do poder despótico do tráfico armado, que certamente, não está envolvido neste tipo de crime, especificamente”, opina.

"Federalização" do caso

 “Esperamos investigações sérias da Polícia Civil. Se percebermos que houver um espírito de porco e uma letargia na apuração, vamos pedir ajuda da Polícia Federal, uma ‘federalização’ da investigação”, advertiu. O deputado fluminense informou já ter conversado sobre a hipótese com o atual ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. “Ele se colocou à disposição, se se necessário”, acrescentou.

Chico Alencar irá coordenar um grupo de trabalho parlamentar criado em regime de urgência para acompanhar as investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco. A iniciativa foi do deputado Paulão (PT-AL), presidente da Comissão de Direitos Humanos e das Minorias da Câmara dos Deputados. Além de Alencar, integram o grupo dois outros deputados federais do PSOL, Jean Wyllys e Glauber Braga, além de parlamentares de outros partidos. “Essa é uma questão, ampla, apartidária e geral”, justificou Chico Alencar. “Vamos marcar em cima. É o mínimo que podemos fazer em memória dela e do Anderson”, finalizou.

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