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"A indústria farmacêutica foca nas populações mais ricas", denuncia brasileira premiada pela Unesco

Por Mauricio Assumpção

Por que algumas doenças simples, conhecidas há décadas ou há mais de cem anos, continuam a atingir as populações mais carentes do mundo? Porque a pesquisa da cura e erradicação dessas enfermidades teria um alto custo, sem retorno lucrativo para a indústria farmacêutica. É na contramão dessa tendência que trabalha a professora Rafaela Salgado Ferreira, diretora do laboratório de modelagem molecular da Universidade Federal de Minas Gerais, ganhadora do prêmio L’Oréal-Unesco para Jovens Talentos Femininos que se destacam nas ciências.

Leishmaniose, doença de Chagas, esquistossomose. Doenças conhecidas há muito tempo pela ciência. Doenças que, atingindo sobretudo as regiões mais pobres do planeta, deixaram de ser pesquisadas pela indústria farmacêutica.

“A indústria farmacêutica tende a pesquisar as doenças que atingem uma população mais rica e que podem durar vários anos”, explica a professora Rafaela. “Mas nós sabemos que todo mundo tem direito à saúde. Por isso é importante trabalhar para desenvolver medicamentos para essas doenças que são negligenciadas pela indústria”.

Mesmo que haja medicamentos para algumas dessas velhas enfermidades, eles são, na sua maioria, pouco eficazes ou apresentam fortes efeitos colaterais.

“Os efeitos são tão fortes que, muitas vezes, o paciente desiste do tratamento. Por isso é importante desenvolver medicamentos que sejam mais eficazes e mais seguros”, defende Rafaela.

Modelagem molecular

Trabalhando com um orçamento cada vez mais apertado, Rafaela Ferreira lança mão de simulações no computador para testar substâncias no mundo virtual. O resultado das simulações define quais substâncias devem ser testadas, de fato, diminuindo o custo de operação do laboratório.

“Infelizmente, a falta de recursos para a pesquisa no Brasil é um problema muito sério. Há muitos cientistas brasileiros interessados em pesquisas. Mas é cada vez mais difícil conseguir financiamento. E, mesmo quando conseguimos o financiamento, é difícil receber o dinheiro para realizar a pesquisa”, reclama Rafaela.

A ameaça da Zika

Depois da epidemia de Zika e microcefalia em 2015, o alcance da doença parece ter regredido no Brasil. De qualquer modo, mais vale pesquisar do que remediar.

“No ano passado nós tivemos menos casos de Zika. Mas não podemos saber quando uma nova epidemia vai acontecer. Um novo medicamento leva muito tempo para ser desenvolvido. Por isso nós temos que descobrir novos medicamentos antes da nova epidemia”, alerta Rafaela.

O mal do machismo

Ganhadora do mais prestigioso prêmio de jovens talentos oferecido às cientistas, Rafaela admite que a situação no Brasil ainda está longe de ser a mais favorável para as mulheres no meio profissional.

Ainda existe machismo. Nós temos muitas mulheres fazendo pesquisas no Brasil. Atualmente, quase metade dos cientistas brasileiros são mulheres. Mas, se olharmos para os cargos mais altos, a predominância ainda é de homens. De fato, ainda existem dificuldades e preconceitos que impedem as mulheres de alcançarem esta igualdade em todos os níveis”, conclui Rafaela.

Acione a caixa abaixo para assistir na íntegra à entrevista da professora Rafaela Salgado Ferreira.

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