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"Não podemos permitir que as pessoas deixem de ter acesso à faculdade", alerta empresário do setor de ensino

Por Mauricio Assumpção

Nos últimos quinze anos, a educação superior privada deu um salto espetacular no Brasil graças aos programas do governo federal, como o FIES e o ProUni. Dezenas de milhares de jovens e adultos passaram a ter acesso ao ensino superior através desses programas de incentivo abraçados pela iniciativa privada. Na região Nordeste, que abriga 25% da população brasileira, o grupo de educação Caelis investiu nas cidades do interior, permitindo o acesso das classes C e D à faculdade, realizando o sonho de muita gente.

“Nós iniciamos nossas atividades em Salvador, mas, depois, nos estendemos por todo o Nordeste”, explica Alessandro José Pinheiro, presidente do grupo Caelis, em entrevista à Radio França Internacional. “Hoje somos um grupo com 11 instituições de ensino, sempre focando o Nordeste e o seu interior, para desenvolver o potencial dessas regiões”.

Muitos grupos privados de educação de nível superior que investem nas capitais nordestinas são empresas do Sudeste, que aplicam uma pedagogia geral para todo o Nordeste, como se tratasse de uma região de caráter único. O grupo Caelis, por sua vez, se destaca pelo seu conhecimento e experiência do terreno. Fundado e financiado por nordestinos, o grupo faz questão de valorizar as diferenças culturais, oferecendo cursos que se adaptam à realidade local.

“Quando você viaja pelo interior, pelo Sertão, você percebe uma cultura diferente, um Brasil diferente em cada lugar. A melhor forma de se conectar com essas pessoas é respeitando a sua regionalidade”, conta-nos Alessandro. “Recentemente, por exemplo, nós nos instalamos em Juazeiro do Norte. Nossa instituição se chamaria Faculdade do Cariri, que é um nome de muita força, muito simbólico. Mas, depois, preferimos Faculdade Padre Cícero, para nos ligarmos a essa identidade religiosa da região. Às vezes, duas cidades no mesmo estado apresentam realidades completamente diferentes. Por isso, nós fazemos com que o professor respeite essa diferença, para que nós tenhamos uma maior eficiência no processo de ensino, no aproveitamento do próprio aluno. Nós buscamos valorizar essa identidade regional”.

O sonho da ascensão social

Instalando faculdades em cidades interioranas, o grupo Caelis tem alcançado alunos das classes C e D que nunca pensaram em passar do ensino fundamental ou médio.

“São pessoas que almejam a ascensão social através da educação. É emocionante ouvir um aluno que me agradece pela abertura da faculdade na sua cidade. Às vezes, ele é o primeiro da família a chegar ao nível superior, mas tem certeza que não será o último. A maioria dos nossos estudantes via a faculdade como algo inacessível. Hoje nós oferecemos ao aluno um sentimento de pertencimento. A faculdade também faz parte dele, pode melhorar a vida dele. Através da educação ele vai poder ter a sua ascensão social. Vai passar da classe C ou D para a classe A. A educação, como deve ser, é um agente de transformação social”, diz Alessandro.

O caranguejeiro bacharel

“Nós temos um aluno que era catador de caranguejos no mangue, no Sergipe. A mão dele é toda marcada por pinçadas de caranguejo. A mãe dele ainda mora numa casa feita de barro. Ele cursou Letras conosco, começou a estudar francês e, depois, conheceu um professor da Sorbonne. Ficaram amigos e, hoje, o caranguejeiro é tradutor dos manuais da Air France para o Brasil. Através da educação essa pessoa mudou a sua vida, mudando também a do amigo, do vizinho, do irmão, de toda a família”, lembra Alessandro.

Numa região rica em recursos naturais como o Nordeste, a Caelis vislumbra a possibilidade de explorar esse potencial com parcerias entre as suas faculdades e empresas estrangeiras interessadas em pesquisa e desenvolvimento.  

“Nós estamos negociando com um grupo europeu para desenvolver uma indústria de painéis fotovoltaicos na cidade de Queimadas, na Bahia. Queimadas, sozinha, recebe duas vezes e meia mais radiação solar do que toda a Europa. Nosso objetivo é aproximar o aluno a essa indústria para que possamos desenvolver mão-de-obra qualificada na região. Além disso, podemos ter uma fábrica de painéis fotovoltaicos e, ainda, uma central de produção de energia solar que venda energia excedente para outras regiões”, explica Alessandro.

Futuro sombrio?

No vácuo de poder em que se encontra o Brasil, em ano de eleições presidenciais, muitos temem pelo futuro dos programas de apoio à educação implementados pelo governo federal. O que acontecerá com o FIES e o ProUni? Alessandro José Pinheiro está pronto para a luta.

“Medo, eu não tenho, porque nós precisamos acreditar. Se eu, empresário da educação, disser que eu tenho medo, eu não posso estar fazendo o que eu faço. Eu acredito no Brasil. A gente não vai fugir dessa situação. As coisas vão melhorar. Eu vou fazer a minha parte. Eu não posso permitir que as pessoas não tenham mais acesso à educação. Nós promoveremos sempre a melhor educação possível. Eu só tenho medo de me acovardar, mas isso não faz parte do meu caráter. Eu acredito que nós, empresários da educação, não vamos permitir que o pior aconteça”, encerrou Alessandro.

Assista abaixo a entrevista de Alessandro José Pinheiro.

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