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Le Monde questiona se obstinação de Lula na corrida presidencial não seria em vão

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Chegada tumultuada de Lula no Sul do Brasil é relatada pela correspondente do jornal francês Le Monde REUTERS/Diego Vara

A política brasileira é destaque na primeira página do jornal francês Le Monde que chegou às bancas na tarde desta sexta-feira (23). O vespertino explica como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prossegue sua campanha para a reeleição, apesar do risco de prisão.


Intitulada “Lula em campanha apesar da ameaça de prisão, a reportagem publicada pelo jornal foi realizada pela correspondente do Le Monde no Brasil, Claire Gatinois, que acompanhou os comícios de Lula no Sul do país. Ela relata como o ex-presidente teve que contornar grupos de opositores que tentaram bloquear as estradas para impedir sua chegada. “Ao lado de seus tratores e com seus chapéus de gaúchos, eles pareciam dispostas a perturbar a chegada daquele que chamam de ‘o maior bandido de toda a história da humanidade’”, conta a jornalista.

A correspondente explica que, ao contrário do Nordeste brasileiro, “destruído pela seca”, onde Lula é visto como o “pai dos pobres”, em São Borja, “ele foi recebido por uma multidão hostil, formada por fazendeiros ultraconservadores.  Mesmo assim, o candidato conseguiu fazer seu discurso, no qual lembrou seu passado, com dois mandatos, mas também prometeu “um futuro encantado, no qual não haverá mais cidadãos de segunda categoria”, relata a jornalista.

Porém, comenta a correspondente, “em nenhum momento Lula cogita a hipótese de sua ausência na corrida eleitoral” e continua a campanha "como se nada tivesse acontecendo". No entanto, continua o texto, mesmo se “ele ironiza os comentários sobre a sua idade e parece desprezar os problemas com a justiça”, há uma ansiedade que paira devido as incertezas ligadas à candidatura do petista.

A jornalista explica que independentemente do resultado do processo por corrupção que pesa sobre Lula, a lei da Ficha Limpa o torna um candidato inelegível, esteja ele detido ou em liberdade. E isso poderia colocar um ponto final em sua campanha.

A correspondente questiona se, nesse caso, a obstinação do petista não seria inútil. Mas, segundo o cientista político Jonivan de Sá, ouvido pelo Le Monde, “mesmo se essa estratégia é arriscada, ela seria a única opção”. O analista finaliza a reportagem explicando que “no Brasil, os eleitores não votam por um programa, e sim por uma pessoa. E elas querem Lula”.