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Sob apelos de “Lula livre”, petista promete se entregar à PF

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Ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff, Lula acena para a multidão em discurso realizado neste sábado (7), em São Bernardo do Campo. REUTERS/Leonardo Benassatto

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, mesmo contra a vontade, vai se entregar à Polícia Federal, em cumprimento ao mandado de prisão decreto pelo juiz Sérgio Moro. A defesa do petista negociou as condições da execução do mandado com a PF, que deve ocorrer ainda neste sábado (7).


O ex-presidente participou de uma missa em homenagem à ex-primeira-dama dona Marisa Letícia, em um palco instalado em frente à sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. Milhares de petistas, sindicalistas e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores acompanharam a cerimônia.

Marisa Leticia faleceu em 2017 e estaria de aniversário neste sábado. Aliados do ex-presidente haviam indicado que ele não se entregaria antes de participar da homenagem à esposa.

“Se dependesse da minha vontade eu não iria, mas eu vou”, afirmou o petista em seu discurso, no fim da cerimônia. "Eu não estou escondido. Eu vou lá para eles saberem que eu não tenho medo", prosseguiu o ex-presidente. "Esse pescoço aqui eu não baixo. Eu vou chegar de cabeça erguida e vou sair de peito estufado", declarou, enquanto a multidão gritava “não se entrega” e “Lula livre”.

12 anos de prisão

O ex-presidente estava refugiado no sindicato desde a quinta-feira, quando foi decretado um mandado de prisão pelo juiz Sérgio Moro. Lula deverá começar a cumprir uma pena de 12 anos e um mês de prisão, por corrupção passiva e por lavagem de dinheiro.

No palanque, o ex-presidente estava acompanhado das principais lideranças do PT, entre eles a ex-presidente Dilma Rousseff, a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, e o ex-chanceler Celso Amorim. Segundo as pesquisas, Lula é o favorito para as eleições de outubro.

Eu sairei dessa maior, mais forte e verdadeiro”, disse o petista, que clamou inocência. "A história daqui a alguns dias vai provar que quem cometeu crime foi o delegado que me acusou, foi o juiz que me condenou", atacou Lula, que, ao descer do palanque, retirou-se para se juntar à família.

Prazo expirado

Em Curitiba, o ex-presidente deve ser colocado em uma cela de cerca de 15m2, com banheiro privativo e direito a duas horas diárias de banho de sol. Sérgio Moro havia oferecido a possibilidade de Lula se apresentar "voluntariamente" em Curitiba até as 17h de sexta-feira, mas o prazo foi ignorado pelo ex-sindicalista.

A defesa de Lula critica a celeridade com que Moro emitiu o mandado de prisão, menos de 20 minutos depois de ter recebido sinal verde do tribunal de apelação. Em uma entrevista a uma emissora chinesa, o juiz rebateu as críticas afirmando que Lula "foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção e é preciso executar a sentença". Moro declarou "não ver qualquer razão específica para adiar mais".