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Brasileira estuda na França uso de tecnologias digitais para autistas

Por Elcio Ramalho

Como tornar o universo digital mais acessível a pessoas com necessidades específicas, como os autistas? Esse é o campo de atuação e pesquisa da professora de Computação da Universidade da Paraíba, Yuska Paola Costa Aguiar, atualmente na França para trabalhar com o tema em um pós-doutorado na Universidade de Aix-Marseille, sul do país.

O trabalho de Yuska e do laboratório francês onde desenvolve suas pesquisas consiste em aproximar três áreas do conhecimento: ciências da computação, psicologia e medicina. Essa transversalidade é necessária para ajudar programadores de softwares a criar programas de computador adaptados aos pacientes com espectro de autismo.

Para isso, a professora universitária teve que mergulhar nas teorias e práticas sobre a doença. “Entre os autistas, existe uma variação intra e interindividual, ou seja,  cada um deles pode se comportar e apresentar as facetas do autismo de forma muito plural e que podem ser alteradas ao longo de seu desenvolvimento”, afirma.

Ao estudar as formas de intervenção nos pacientes, ela entende melhor como a computação pode auxiliar nas intervenções que são feitas nas pessoas com autismo.  Segundo Yuska, o computador não substitui o terapeuta, mas vai permitir que uma atividade repetida várias vezes seja adaptada ao indivíduo.

“As práticas convencionais com pacientes autistas são muito focadas na personalização, cada atividade é específica para o indivíduo em um determinado momento de sua vida. A personalização pode ser mais fácil a partir do computador e também a repetição, quando você tem o uso da informática”, explica.

"Desaceleração do mundo"

No centro PsyClé, na Universidade Aix-Marseille, onde ela faz seu pós-doutorado, Yuska tem contato com a teoria desenvolvida pela equipe coordenada pela especialista Carole Tardif.  Os trabalhos da equipe demonstram que para os autistas “o mundo é acelerado demais”.

“Eles têm uma capacidade auditiva e de visão que é muito particular e difícil de acompanhar. As pessoas com autismo não conseguem olhar para os olhos das outras pessoas. Isso porque os movimentos dos olhos das pessoas são muito perceptíveis e as distraem facilmente. Nesse sentido, uma das técnicas utilizadas a partir do computador é fazer o mundo ficar mais lento utilizando programas adaptados”, afirma.

O laboratório de pesquisa desenvolveu o programa de computador LogiRal, que aproxima o universo tecnológico dos pacientes com espectro autista. “O software reduz a velocidade do vídeo e do áudio, o que permite com que as pessoas com autismo entendam melhor as mensagens transmitidas e tratadas. Elas conseguem inclusive direcionar o olhar para as pessoas e personagens que estão no computador ou no tablet por meio do vídeo. É um instrumento que pode auxiliar no acesso à informação”, explica.

Outra vantagem do uso de ferramentas tecnológicas ressaltada por Yuska é a possibilidade de melhorar a expressão oral desses pacientes. “O uso de cartões com imagens e fotografias é usado na terapia convencional, mas ele pode ser potencializado como ferramenta com o computador. O tablet que tira uma foto de uma imagem ou de objeto com a possibilidade de associar um áudio à essa imagem, permite que a criança se comunique com outras pessoas, independentemente das suas condições de desenvolvimento cognitivo”, explica.

França mais avançada que o Brasil

Na entrevista ao RFI Convida, Yuska Aguiar revelou que muitas start-ups tecnológicas estão interessadas em desenvolver produtos de hardware e software para uma essa população específica.

“É um mercado promissor não apenas sob o ponto de vista mercadológico, mas também no sentido de tornar a informação mais acessível para pessoas que normalmente são excluídas do convívio social. Há várias propostas que vão nessa direção, como um empresa que já fez vários programas para tablets visando pessoas com autismo”, destacou.

Outro exemplo mencionado pela especialista é de um tablet concebido com uma proteção para facilitar o manuseio por autistas que têm dificuldades motoras para lidar com os equipamentos mais finos. “O campo é vasto e a necessidade é uma realidade”, afirma.

Yuska, que ficará na França até o início de 2019, considera que o país está bem mais avançado em questões relacionadas com o autismo do que o Brasil. “Não só em relação à produção de softwares, mas de conscientização da sociedade. No Brasil, é muito recente a adoção de políticas de inclusão do autismo”, diz, lembrando que a lei que confere aos autistas os mesmos direitos de uma pessoa com deficiências é de 2012.

E só no ano seguinte, em 2013, foi formalizado o atendimento dessa população no sistema público de saúde (SUS). “A França está à frente dessa conscientização e também no reflexo que isso traz para o desenvolvimento de softwares e outros instrumentos de intervenção pedagógicas e terapêuticas”, diz.

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