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“As eleições no Brasil já estão comprometidas”, diz presidente do PCO

Por Elcio Ramalho

Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO), iniciou pela Irlanda o que chama de “maratona” de palestras e debates que irá percorrer 10 países - entre 26 de maio e 3 de julho - para falar da situação política do Brasil. Em Paris, foram programados encontros com militantes de esquerda e grupos apartidários em torno do tema “O golpe de Estado no Brasil e a prisão de Lula”.

“Nossa ideia é reforçar os laços do setores mais ativos contra o golpe”, destaca Rui. O objetivo também é divulgar uma grande conferência que está sendo articulada para denunciar o que considera um “golpe” na democracia brasileira a partir do impeachment da presidente Dilma Rousseff, em agosto de 2016.

“Há vários setores da esquerda internacional que estão dando apoio material e prático para a mobilização contra o golpe e pela libertação do ex-presidente Lula”, acrescenta o jornalista e fundador do PCO. Pimenta fundou o partido nos anos 1990, depois de se desligar do Partido dos Trabalhadores (PT). Para ele, a situação enfrentada pelo partido gera a necessidade de uma mobilização ampla, envolvendo diferentes segmentos dentro e fora da sociedade brasileira.

“O setor fundamental da luta contra o golpe em termos numéricos é o PT, mas o partido está mergulhado em uma certa confusão, uma certa paralisia. Por isso, a iniciativa de reforçar a mobilização é formada também por pessoas que não têm filiação partidária”, destaca.

Rui Pimenta também relatou a importância de fazer contatos e reforçar os laços com militantes que se encontram fora do país. “Tanto pelo fato de que as pessoas estão no estrangeiro, como pelo fato de serem pessoas muito ativas, isso tem uma repercussão grande no Brasil. Daí a importância que damos a esse relacionamento. Os militantes no Brasil veem que há um movimento amplo, de pessoas que se manifestam”, justifica.

“Forças Armadas já controlam governo”

Na entrevista à RFI Brasil, o presidente do PCO disse que a atual situação crítica “previsível” pela qual atravessa o país pode encurtar o mandato do presidente Michel Temer. “A crise institucional é muito grave. Com a greve dos caminhoneiros, o governo do presidente Temer praticamente foi à lona, não existe mais como governo. Isso é reconhecido pela própria direita”, defende. Segundo Pimenta, muito setores da direita e do empresariado nacional consideram que Temer não tem mais autoridade política para controlar o país.

“As Forças Armadas já controlam esse governo”, insiste, ao se referir à influência do general Sérgio Etchegoyen, ministro de Estado chefe do Gabinete de Segurança Institucional.   

De acordo com o líder do PCO, duas alternativas estão se delineando no país à eleição presidencial prevista para o mês de outubro. A primeira delas é a lei que permite a eleição indireta pelo Congresso no caso de o presidente e o vice deixarem o cargo. “É uma barbaridade institucional, um novo golpe, mas é possível porque as eleições estão muito comprometidas”, afirma.

Essa tese é plausível, argumenta Pimenta, porque a direita não teria um nome para garantir a vitória nas urnas. As pesquisas de opinião apontam que o ex-presidente Lula é o candidato preferido do povo, lembra.  

A segunda opção identificada por Pimenta é a intervenção militar. “Os rumores foram muito fortes durante o final de semana, com o apoio de pequenos grupos pela volta dos militares. No entanto, os generais já disseram que não vai haver intervenção. É meio que falando ‘pessoal, não vai acontecer agora, vamos distender um pouco a situação’, mas a situação é muito grave”, ressalta.

Candidatura de Lula até o fim

Quatro vezes candidato à eleição presidencial, Rui Pimenta descarta se lançar novamente na corrida eleitoral. “A direção do partido tomou a decisão de apoiar a candidatura de Lula. Neste momento, a candidatura dele representa a luta contra o golpe. Há uma pressão muito grande para que se abandone essa perspectiva, é natural, a presença dele na campanha é um elemento central da crise. Estamos comprometidos para consolidar e levar essa candidatura até o final”.

Pimenta refuta também a hipótese de apoiar uma eventual candidatura de um nome que unisse os partidos de esquerda e extrema-esquerda do país: “Provavelmente, não. Mesmo com a candidatura do Lula, a eleição não é uma verdadeira eleição, por causa de todas as violações dos direitos democráticos. A eleição vai ser muito controlada. Se tiver um candidato de esquerda com possibilidade de ganhar, ele vai enfrentar uma guerra”, diz. Para o líder do PCO, o ambiente está criado para que das urnas saia um candidato que represente os partidos de direita que assumiram o poder com a queda do PT.

“O único resultado da eleição seria o de criar uma aparência de que se tem um governo legítimo e esse governo vai ser da direita, e ele vai ser um governo muito brutal, contra a população”, prevê.

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