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Eike Batista é símbolo da decadência do Rio, diz jornal Le Monde

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Reprodução da matéria publicada nesta quarta-feira (4) no site do jornal Le Monde. Reprodução/Le Monde

O site do jornal francês Le Monde repercute nesta quarta-feira (4) a condenação do ex-megaempresário brasileiro Eike Batista a 30 anos de prisão por corrupção ativa, dentro da operação Lava-Jato. Ele é acusado de pagar US$ 16, 5 milhões de dólares de propinas ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, em troca de contratos com o governo fluminense.


A correspondente do Le Monde em São Paulo, Claire Gatinois, diz que dos tempos de esplendor - quando Eike Batista adorava posar diante dos fotógrafos em sua mansão no Rio de Janeiro ao lado de sua Lamborghini - o ex-milionário passou à ruína. Ele é "o símbolo da grandiosidade e da decadência do Rio", afirma o jornal.

Com um patrimônio estimado em US$ 30 bilhões em 2012, ele pretendia passar Steve Jobs na classificação das maiores fortunas do mundo. Mas, na terça-feira (3), foi um homem arruinado que ouviu a sentença pronunciada pelo juiz Marcelo Bretas: uma pena de 30 anos de prisão e uma multa de R$ 53 milhões, por corrupção e lavagem de dinheiro, publica Le Monde.

O diário explica aos leitores que Eike Batista é condenado de ter repassado, em 2010, US$ 16,5 milhões em propinas a Sergio Cabral que, por sinal, é condenado em seis processos e acumula neste momento uma pena de 123 anos e 4 meses de prisão.

Ex-modelo de sucesso

Le Monde recapitula o percurso do ex-megaempresário que, salienta, "por muito tempo foi modelo de uma história de sucesso no Brasil". Filho do ex-presidente da gigante Vale, Eliezer Batista, morto em 18 de junho aos 94 anos, o jovem Eike, pouco interessado nos estudos, acumula seus primeiros milhões extraindo ouro na Amazônia.

Investidor compulsivo, Eike fundou uma gama de empresas nos setores da infraestrutura, minas, logística e hotelaria, tornando-se a estrela das revistas de fofoca ao se casar com a atriz Luma de Oliveira. Depois, virou "a coqueluche dos políticos" e o mecenas do Rio, distribuindo cheques para apoiar a criação das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), as Olimpíadas de 2016 ou mesmo comprando o icônico Hotel Glória, na capital fluminense.

Mas Eike caiu em desgraça a partir de 2012, quando começou a "desmoronar o castelo de cartas do empreendedor" que chegou a ser apelidado de "orgulho do Brasil" pela ex-presidente Dilma Rousseff. Abatido pela crise econômica e acusado de fraudes, parte de seus bens foram apreendidos. "Em 2017, a polícia voltou a bater em sua porta, suspeitando que Eike tinha participado do esquema de corrupção tentacular, que lhe vale atualmente 30 anos de cárcere", destaca Le Monde.

O jornal também ressalta que Fernando Martins, advogado do ex-milionário, afirma que vai recorrer da decisão. Segundo ele, "a vagueza das acusações salta aos olhos".