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Brasil e Argentina vão combater de forma integrada crime organizado na região

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Os ministros da Segurança do Brasil, Raul Jungmann, e da Argentina, Patricia Bullrich, durante assinatura de acordo em Buenos Aires. Ministério da Segurança da Argentina

O ministro brasileiro da Segurança Pública, Raul Jungmann, está em Buenos Aires para a assinatura de dois acordos que unem Brasil e Argentina no combate ao crime organizado. Policiais argentinos e brasileiros vão atuar um no território do outro. A preocupação é grande principalmente com os vizinhos produtores de maconha e cocaína, como Bolívia, Peru e Paraguai.


Correspondente da RFI em Buenos Aires

"Se o crime organizado se vale da globalização a partir das tecnologias e infraestruturas como transporte, comunicação e fluxos financeiros que vão além das nossas fronteiras, precisamos de acordos transnacionais para combater esse crime que se globaliza, integrando procedimentos e informações", avaliou o ministro brasileiro nesta terça-feira (31) na capital argentina. Um dos acordos entre os Ministérios da Segurança Pública dos dois países integra os sistemas de ambos para a troca on-line de dados como procedimentos, mandados de prisão, perfis genéticos, perícias e antecedentes criminais.

"O que vai mudar é que vamos integrar a nossa base de dados, passando a haver um sistema único e compartilhado entre os dois países. Argentinos vão pode acessar os dados de criminosos que cometeram crime no Brasil e vice-versa", explicou o ministro Jungmann à RFI.

Crime organizado via WhatsApp

"Se o crime se organiza por WhatsApp em tempo real, mas os governos não o fazem devido à burocracia, os criminosos simplesmente estarão sempre à nossa frente. Precisamos, então, ter informação em tempo real sobre o crime com uma nova cultura de integração", indica.

O segundo acordo, mais operacional, é entre a Polícia Federal brasileira e a Direção Nacional de Migrações da Argentina. Com o dispositivo, o cidadão que cruzar a fronteira não precisará mais parar num posto de um país e depois noutro posto no destino. Os sistemas estarão integrados para um reconhecimento recíproco nas zonas de controle migratório na fronteira entre os dois países.

"Além disso, nos períodos de férias, quando argentinos estiverem no Brasil e brasileiros na Argentina, haverá policiais brasileiros na Argentina e policiais argentinos no Brasil", anuncia Jungmann, que também vai participar nesta quarta-feira (1°) da XI Cúpula da Comunidade de Polícias das Américas (Ameripol), uma organização que reúne representantes do Brasil e mais 17 países.

"O delito internacional muda de formas para delinquir. Precisamos também mudar as nossas formas de combatê-lo para estarmos à frente e não sempre atrás dos problemas", apontou a ministra da Segurança argentina, Patricia Bullrich, que deu um exemplo do que aconteceu apenas horas atrás.

"Ontem, num ponto da fronteira com o Brasil (província de Misiones, fronteira com Paraná), delinquentes brasileiros tentaram entrar na Argentina para resgatar numa penitenciária um bando criminoso brasileiro preso. Em questão de cinco minutos, tínhamos todas as informações disponíveis sobre os antecedentes. Os mecanismos funcionaram e impedimos a ação desse grupo", revelou Bullrich.

A ministra conta que foram detectados 15 pontos na fronteira comum entre Brasil e Argentina para terem centros inteligentes com radares, drones e controle do espaço aéreo. A unificação entre as duas nações para o combate ao crime organizado transnacional visa estender-se, no futuro, aos demais países da região.

"Convivemos com países vizinhos que são produtores de matéria prima como cocaína e maconha. Bolívia, Paraguai e Peru são preocupações para a Argentina e para o Brasil. Temos de conseguir que não sejam mais produtores porque depois esse tráfico gera violência nas nossas cidades", disparou.

Segundo Bullrich, nos últimos anos, a Colômbia aumentou as áreas semeadas para a produção de entorpecentes destinados aos Estados Unidos e à Europa. "Com isso, a droga de Bolívia, Paraguai e Peru vem para a Argentina, para o Brasil e para o Chile. Esse é um grande problema que temos", identifica.

"Precisamos de uma cultura completa de integração. Com a atual cultura do legalismo, da burocracia e da diplomacia que, embora sejam corretas, não estaremos à altura do desafio de combater o crime organizado, que é uma ameaça para as nossas soberanias e para as nossas democracias", concluiu o ministro Raul Jungmann, quem também se reuniu com o ministro argentino da Justiça, German Garavano, com a intenção de avançar na criação de uma Corte Penal regional.