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Bernardo Lobo diz que seu processo de criação artística mudou para melhor em Lisboa

O cantor e compositor carioca Bernardo Lobo, que há dois anos mora em Lisboa, vive um momento feliz, tanto na carreira quanto na vida pessoal. Foi este sentimento de felicidade plena que ele decidiu transformar em canção e assim nasceu o quinto álbum da carreira do cantor.

Luciana Quaresma, de Lisboa para a RFI

O disco "C'Alma" é o mais autoral da carreira de Bernardo Lobo, filho do também compositor Edu Lobo, uma espécie de espelho que revela a alma do cantor.

“Este disco é como se fosse uma carteira de identidade. Quando eu entrego o CD para uma pessoa, eu digo: este sou eu agora", diz o compositor. Ele revela que a mudança para Lisboa o liberou de "medos, angústias e depressões" que o afligiam no Brasil, a ponto de atrapalharem seu processo criativo. "Talvez esse Bernardo estivesse escondido dentro de mim, reprimido no Brasil, e quando eu cheguei aqui, eu pude botar isso para fora. Naturalmente saiu o melhor de mim", conta o compositor, entusiasmado com o resultado do álbum.

“O processo foi absolutamente natural. Surgiu da necessidade de fazer música, de fazer arte, de conseguir dizer através da música o momento que estou vivendo. Em Lisboa, consegui novas parcerias que traduziram muito bem em letra o que estava acontecendo comigo. As canções foram se formando, se juntando umas às outras, tanto as que fiz em Portugal quanto as que eu trazia do Rio de Janeiro", explica. Ao final, ele acredita ter encontrado uma unidade, uma coisa a dizer, como num livro.

Lisboa: a calma e a alma do disco

"C'Alma" é um disco orgânico que tem uma história pra contar. Cerca de 60% das faixas foram compostas em Lisboa, a cidade portuguesa que trouxe quietude ao músico e onde ele encontrou inspiração para o título do disco.

"C'Alma" é uma contração das palavras alma e calma. Segundo Bernardo, a calma veio principalmente com a maturidade e o fato dele ter conseguido se instalar em Lisboa depois de sonhar durante muito tempo com a cidade. "O disco reflete isto tudo, este sonho, esta realização de estar em Lisboa, de estar gravando com uma mistura de músicos africanos, portugueses, brasileiros, ingleses, franceses, essa coisa multicultural que existe em Lisboa e que eu adoro", assinala. "Venho aprendendo muito com a minha vida em Portugal, sobre valores, e isso tudo está no meu disco”, afirma.

O Brasil mais próximo, em verso e poesia

A produção do álbum, inteiramente gravado em Lisboa, é assinada por Pierre Aderne, em coprodução com o próprio cantor. O CD tem participações especiais de Marcos Valle, Mu Chebabi e Jaques Morelembaum. Para Bernardo, este é também o seu disco mais brasileiro.

"Eu costumo dizer que a gente não precisa ser brasileiro morando no Brasil, a gente pode ser brasileiro em qualquer lugar do mundo. O Brasil está dentro da gente, está dentro de mim, e vou carregar o Brasil aonde for. Talvez, por estar longe, eu me aproxime mais do Brasil do que quando estava lá", comenta o cantor.

O músico recorda que quando ainda morava no Rio, ele buscou um ritmo mais pop. Durante um período, tentou um casamento com a música eletrônica, mas depois descobriu que esse gênero não se adequava ao seu trabalho, mais orgânico.

"Meu trabalho é vivo, tem músicos tocando instrumentos, não tem máquina. É alma, é coração, é poesia, é canção, é melodia e isso eu só consegui ter a calma para fazer em Lisboa”, conclui.

Bernardo Lobo, escolheu Lisboa para viver e trabalhar. Foto: RFI/Luciana Quaresma

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