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Instrumentalização política dos migrantes alimentou xenofobia em Roraima, diz professor da UFRR

Por Nina Santos

Os ânimos estão tensos em Roraima, estado brasileiro que faz fronteira com a Venezuela e tem recebido milhares de migrantes por conta da crise econômica e social venezuelana. Depois de um grave episódio de xenofobia na cidade fronteiriça de Pacaraima, no sábado (18), o governo federal brasileiro recusou a hipótese de fechar a fronteira de Roraima e anunciou novas medidas de acolhimento aos migrantes. Para Gustavo Simões, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal da Roraima, "o clima de xenofobia é muito alimentado pelo uso político da crise migratória".

O professor destaca que os atos contra os migrantes vistos em Pacaraima no final de semana parecem ser espontâneos, mas que o fato de o governo do estado pedir recorrentemente o fechamento de fronteiras alimenta a criação de um clima xenófobo. Simões admite que há uma sensação de insegurança na população, mas ressalta que os dados oficiais "não mostram qualquer correlação entre a presença de migrantes e o aumento da criminalidade".

O fato de Roraima ser um estado que depende muito de recursos do governo federal e o período eleitoral, segundo ele, fazem com que a crise se torne ainda mais um alvo político. Isso tem efeitos na sociedade civil que, segundo o professor, encontra-se dividida em relação ao tema. "De um lado você tem diversas ações, programas e organizações que têm acolhido de forma brilhante. Você tem uma sociedade civil organizada, muito interessada e muito solidária neste acolhimento".

Simões destaca, no entanto, que, por outro lado, o fato de os migrantes trazerem uma demanda maior para os serviços públicos também cria uma resistência em uma parte da população local."É bom que se diga que os serviços públicos já eram deficitários antes da chegada dos migrantes. Mas há uma concorrência com relação a estes serviços e também em alguns trabalhos, em grande parte menos qualificados".

Para o professor, o governo federal tem feito esforços para melhorar o acolhimento aos migrantes, mas ainda "não há estrutura suficiente para receber toda essa demanda que chega diariamente pela fronteira". Ele explica que o plano de interiorização - transferência de migrantes para outros estados - vem sendo aplicado de forma "precária", tanto em termos quantitativos quanto qualitativos.

Simões lamenta que os critérios para a transferência de migrantes não esteja clara. A estratégia tem atendido pouco venezuelanos e não faz nenhuma relação entre as habilidades e competências deles e as demandas de mão de obra das regiões para onde são enviados.

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