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“Ataque corrobora ânimo de briga manifestado por Bolsonaro”, diz cientista político da UFMG

Por Elcio Ramalho

As consequências para o cenário político brasileiro do ataque contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), na quinta-feira (6), em Juiz de Fora (MG), foi o assunto do RFI Convida com o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo o especialista, o impacto imediato mais provável é o de um maior apoio eleitoral ao candidato. “Imagina-se que isso possa ser positivo no sentido de ele surgir como vítima para seu eleitorado real e potencial e, com isso, intensificar o apoio a ele”, justifica Reis.

“Mas visto de um ponto de vista mais amplo, minha impressão é de que não vai alterar muito o quadro eleitoral. É simplesmente uma manifestação extremada de uma polarização, de uma certa condição de psicologia política negativa, que já vem marcando o processo eleitoral brasileiro há tempos, pelo menos desde o começo do segundo governo Dilma”, argumenta.

O cientista político avalia que o ataque poderá sensibilizar uma parcela da população que, mesmo com tendência a votar na esquerda, é seduzida pela candidatura ancorada no discurso em favor dos militares: “Sabemos há tempos que mesmo no eleitorado que até o presente é propenso a apoiar Lula e o PT, tende a ser simpático aos militares na política. Isso é certamente parte do substrato que o Bolsonaro vem contando. Pode haver um impacto positivo nesta parcela do eleitorado no sentido de intensificar o apoio eleitoral a ele”.

Para Fábio Wanderley Reis, o ato violento durante uma caminhada de Bolsonaro nas ruas de Juiz de Fora não necessariamente pode repercutir no alto nível de rejeição do candidato, demonstrado por pesquisas.

Ele vê a ação atribuída ao um ex-militante do PSOL no estado como consequência de um clima de hostilidade e violência propalado também pelo ex-deputado. O cientista lembra que declarações de Bolsonaro sobre “metralhar adversários” ou o chute na imagem do líder do PT Lula, representado no boneco “pixuleco” no final de um comício no Distrito Federal, veiculam mensagens de violência.

“Não creio que o fato de haver em si uma violência contra ele altere essa mensagem. Acho que fortalece o fato de ele aparecer como vítima efetiva de alguma coisa violenta. Seria uma espécie de corroboração do ânimo de briga, de enfrentamento que ele manifesta", afirma.

A divulgação de um vídeo de Jair Bolsonaro no leito do hospital reagindo ao ataque faz parte de uma estratégia política de campanha, de acordo com Reis. “O país está em campanha política e um evento como este permite ao candidato se beneficiar de uma campanha, sem o menor esforço. Qualquer candidato em situação análoga estaria tratando de se utilizar, em um certo sentido, desse ‘presente’ que recebe do noticiário”.

Exposição vai compensar limitação de mobilidade

Segundo os médicos, o estado de saúde do candidato e o seu período de recuperação indicam que ele ficará impossibilitado de se deslocar para fazer campanha eleitoral pelo menos até o 1° turno da campanha. Essa limitação será devidamente compensada pela exposição de sua situação nos veículos de comunicação, segundo o professor emérito da UFMG.

“Do ponto de vista da dinâmica eleitoral, o fato de ele ter sido vítima da violência e de ser foco do noticiário, com destaque, já compensa amplamente este aspecto negativo da possibilidade de ele se movimentar. Ele já tem um lugar de destaque e relevante no noticiário, e sob uma luz positiva, o que faltou para ele durante a campanha. Bem ou mal, ele surge agora como vítima”, completa.

Reis também não considera que alguma outra candidatura possa se beneficiar ou ser prejudicada com o ataque ao ex-deputado federal. “Só há um aspecto positivo para a candidatura dele, Bolsonaro”, afirma.

Enfrentamento odioso não foi visto nem em 1964

Mais do que tornar ainda mais imprevisível o desfecho eleitoral brasileiro, o ato simboliza o clima de enfrentamento político dos últimos anos que o especialista atribui ao “ódio de classes” instalado na sociedade brasileira.

“O ataque corrobora um ambiente que já estava bem saliente, nítido e perceptível. Esse traço de enfrentamento odiento não foi visto com a mesma intensidade nem sequer em 1964”, disse, em referência ao ano em que um golpe militar instituiu a ditadura no Brasil.

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