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Em Perpignan, a fotógrafa brasileira Alice Martins expõe imagens da guerra na Síria

Por Patricia Moribe

A exposição “Bem-vinda a Raqqa Livre” é um dos principais destaques da 30ª edição do Festival Visa Pour L’Image, em Perpignan, no sul da França. A autora é a gaúcha Alice Martins, que acompanha o conflito sírio há seis anos.

Enviada especial a Perpignan

A primeira câmera veio parar em suas mãos quando Alice tinha nove anos, uma Kodak Instamatic. “Enquanto as pessoas tiravam fotos de eventos de família, eu fotografava as ruas”, conta a fotógrafa, nascida em 1980, mãe há quatro meses, baseada em Istambul, na Turquia. A curiosidade cresceu com a Guerra do Golfo transmitida pela TV. A vontade de “contar o mundo” a levou primeiro para a Namíbia, como fotógrafa voluntária num programa de educação sexual e HIV. “Levei 40 rolos de filme analógico, que duraram um ano e o resultado só vi bem depois”, diz Alice.

Ela colocou o pé no Oriente Médio em 2012, para fotografar surfistas – assim como ela - na Faixa de Gaza, que foi ainda seu primeiro contato com uma zona em conflito. A Síria foi o próximo e importante passo. Fotógrafa independente, ela trabalha principalmente para o Washington Post, com eventuais colaborações para outras publicações, como a Stern alemã ou o Estado de S.Paulo.

Militantes do grupo Estado Islâmicoo destruiram tumbas de aparência "não islâmica" do cemitério de Qayyarah, no Iraque. (c) Alice Martins

Felicidade sob bombas

Trabalho na Síria há seis anos, desde março de 2013. Acompanhei outras áreas, como Aleppo. Mas para mim Raqqa era diferente, porque foi a primeira capital de província tomada pelos rebeldes. Eu queria entender como é que fica uma cidade quando, de repente, não tem mais governo. Logo no começo havia uma atmosfera de celebração. As pessoas me recebiam, dizendo ‘Bem-vinda a Raqqa livre’. Aquilo me surpreendeu, pois estavam tão felizes, mas a cidade ainda estava sendo bombardeada pelo governo. O som de artilharia e bombardeios era constante. Mas eles achavam que Raqqa podia ser um exemplo do que poderia ser a Síria depois do presidente Bachar al-Assad”, relata a fotógrafa.

“Passei a me concentrar mais em Raqqa para observar como é que a situação iria se desenvolver. Durante seis meses fiz várias viagens para lá, e percebi que os militantes do grupo Estado Islâmico estavam chegando. Eles começaram controlando o principal prédio do governo em Raqqa. Havia outros grupos menos radicais, mas aos poucos eles foram tomando o controle, assassinando líderes da oposição, até tomarem conta da cidade totalmente em janeiro de 2014. Daí eu parei de ir, pois começaram a sequestrar jornalistas e a situação estava perigosa”, conta.

Cerimônia de fim de formação de recrutas treinados por forças americanas em Aleppo. (c) Alice Martins

Alice voltou a Raqqa, com a expulsão dos extremistas, após bombardeios das forças aliadas com a ajuda do exército americano. “Eu estava lá no primeiro dia da operação, no começo de junho. Eu estava ansiosa para ver o que tinha mudado. Vi uma cidade completamente destruída, milhares de pessoas morreram, não se sabe exatamente quantas”. As fotos de Alice mostram a desolação e destruição.

Enterrar os filhos

Ela fala de um momento muito difícil, quando acompanhou a história de uma família que teve a casa bombardeada. Seis irmãos e irmãs morreram. Os pais sobreviveram e Alice acompanhou o doloroso preparativo fúnebre. O enterro foi de noite, para não chamar a atenção e virar alvo de bombardeios.

Sobre o fato de ser mulher, Alice Martins conta que na Síria isso chegou a ser uma vantagem. As viagens pelas estradas passavam por vários controles, e os homens eram sempre sabatinados, com documentos verificados. “Eles me ignoravam por ser mulher”. A bolsa com o equipamento fotográfico ia por baixo das largas túnicas islâmicas. “Eu também dependia do tradutor, em quem tinha confiança total”, acrescenta.

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