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Da extrema-direita à esquerda: populismo tem faces distintas na Europa e na América Latina, diz especialista

Por Márcia Bechara

Em época de eleições no Brasil, o RFI Convida desta quinta-feira (13) discute um tema importante: o populismo. Para falar sobre o tema, o programa entrevistou Thomás de Barros, economista, doutorando em Teoria Política da Sciences Po, em Paris.

*Para ouvir a entrevista na íntegra, clique na foto acima

A etimologia da palavra populismo tem raiz latina: popularis, uma referência ao povo. O sufixo “ismo”, fala de tendência, ideologia. Populismo, uma ideologia do povo? Segundo o professor e economista Thomás de Barros, o termo é muito mais complicado do que se pensa. “Há quem diga que, se este conceito não existisse, se não usássemos esse termo no dia-a-dia, nenhum teórico político deveria criar essa palavra, que não é consensual”, diz.

“Em geral, populismo vai fazer uma referência difusa ao povo, mas, o que vemos ao longo da História, são muitas teorias diferentes. O maior problema no uso que fazemos do populismo no dia-a-dia é que se trata de um termo pejorativo”, explica o economista. “Praticamente nunca encontramos líderes políticos que se afirmem populistas, ou que representam um projeto populista. O populista é sempre o nosso adversário, sempre o outro”, avalia.

O pesquisador lembra que o termo “populista” sempre será essencialmente ligado a tudo o que “existe de ruim na política”. A designação do populismo nasce no pós-guerra, segundo explica o especialista. “As primeiras duas expressões do populismo aconteceram no final do século XIX, por dois grupos que, aí sim, se reivindicavam populistas. Primeiro o People’s Party, nos Estados Unidos, e, quase na mesma época, na Rússia, os famosos Narodnaja, os populistas russos”, aponta ele. “Mas é a partir de 1950, com a literatura acadêmica norte-americana, que o populismo ganha um viés pejorativo”, afirma.

Para a Europa, o populismo é a extrema-direita. Na América Latina, os governos de esquerda

“Existem duas leituras isoladas. Uma é a abordagem eurocêntrica. Em geral, na Europa, quando falamos de populismo, falamos de extrema-direita. Marine Le Pen, Gert Wilders, nos Países Baixos, mesmo o Jeremy Corbyn no Reino Unido, Victor Orban na Hungria, Andrzej Duda na Polônia, líderes em geral autoritários, anti-imigrantes, racistas”, lembra Thomás de Barros.

No entanto, na América Latina é diferente. “O populismo neste continente é geralmente associado à esquerda, ao chavismo, ao peronismo, ao varguismo, há até quem diga que o Lula seria populista”, compara.

Como identificar um discurso populista

O especialista conta que utiliza uma abordagem da teoria do discurso que afirma que o populismo simplifica o campo político em duas partes: “nós e eles”. Num momento de grande polarização política no Brasil, quais seriam os efeitos? “O ‘nós contra eles’ não é necessariamente ruim. É até necessário e fundamental na política. A política é feita de confrontos porque na democracia ninguém tem uma resposta certa. Temos opiniões diferentes e isso precisa ser distinguido. A questão é como esse antagonismo é estruturado”, diz. “Podemos tratar o outros como um inimigo a abater, então ‘eu sou o único puro, bom, virtuoso, incorruptível’ e do outro lado tenho o ‘degenerado, o corrupto, o ‘coxinha’, o ‘petralha’, o ‘meu inimigo’ que não tem nenhum tipo de mérito, e que precisa ser eliminado”, detalha o especialista.

“Ou podemos tratar o Outro como um adversário a se respeitar. Existem regras do jogo, o Outro tem uma opinião diferente da minha, mas, no nosso conflito, vamos nos respeitar e aceitar que nenhuma de nossas respostas é necessariamente a correta para sempre”, afirma Thomás.

A solução seria trazer um pouco de racionalidade para esse discurso? “Não sei se concordo com isso”, diz o economista. “Concordo em parte, mas acho que uma das críticas comuns ao populismo é que ele seria irracional, que ele apelaria para as emoções. Isso é um critério ruim, porque toda a política é feita de emoção. Vamos nos mobilizar politicamente pelo medo, pelo amor, pela adoração a um líder, não podemos ignorar o lado afetivo e emocional que está presente sempre na política”, conclui o pesquisador.

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