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Qualquer que seja o presidente eleito, será difícil tirar Brasil da crise, diz revista francesa Le Point

Por Silvano Mendes

A revista francesa Le Point traz em sua edição desta semana um editorial de página inteira sobre a situação atual do Brasil. O texto é bastante pessimista diante da eleição presidencial que se aproxima e cogita o risco de impacto do resultado para a estabilidade do país e da região, independentemente do vencedor do pleito.

O editorial, assinado por Nicolas Baverez, começa fazendo uma analogia entre o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro e a situação do país. “Essas ruínas calcinadas simbolizam o estado da democracia brasileira, devorada pelas chamas do populismo”, com uma eleição que acontece em um contexto de radicalização e violência.

A revista fala de uma “engrenagem de escândalos ligados a uma corrupção endêmica e à marginalização dos candidatos moderados” que acabou em um confronto inédito: de um lado, Fernando Haddad, que o texto apresenta como representante da extrema esquerda e que “defende a linha ideológica dura próxima de Dilma Rousseff” e, do outro, Jair Bolsonaro, da extrema direita, “saudoso da ditadura militar”.

O editorial explica que esse “caos político” é resultado de uma crise econômica histórica, da desintegração da classe média, da explosão da violência e da revolta do povo contra os dirigentes, além da paralisia das instituições. Uma série de razões que alimentam o extremismo, analisa o texto.

Diante desse contexto, a eleição presidencial “perdeu o controle” e “obedece apenas a uma lógica de denúncia da classe dirigente e uma corrida à demagogia que torna impossível qualquer debate sobre os desafios estratégicos que o Brasil tem pela frente”. Para o editorialista, “qualquer que seja o vencedor, é pouco provável que ele consiga tirar o país da crise ou que consiga preservar o caráter democrático das instituições”.

De acordo com Le Point, nenhum dos candidatos no páreo é capaz de realizar as reformas necessárias para retomar o controle das finanças públicas, garantir a sobrevivência do sistema de aposentadoria, reorientar o dinheiro público para investimentos e para os mais pobres. “O grande risco que é caiba aos mercados financeiros forçar as mudanças que os dirigentes e os cidadãos não tiveram a coragem de debater e empreender”.

O editorial teme que, diante desse contexto, o Brasil possa voltar para uma forma de ditadura, como a vivida entre 1964 e 1985. “A queda do país no populismo provocaria uma onda de choque em toda a América Latina”, finaliza Le Point.

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