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"Faremos políticas públicas de alto impacto e baixo custo", diz cocandidata da Bancada Ativista de SP

Por Adriana Moysés

As candidaturas coletivas, impulsionadas pelos movimentos de renovação democrática que emergiram nas eleições de 2016, voltam reforçadas na atual corrida eleitoral, especialmente em São Paulo, Pernambuco e no Distrito Federal. Os grupos que concorrem a cargos nos Legislativos estaduais, na Câmara Federal e no Senado, em torno de um único candidato oficialmente registrado na Justiça Eleitoral, propõem uma outra forma de fazer política, visando maior representatividade e diálogo com a sociedade civil.

Em São Paulo, a Bancada Ativista disputa uma vaga na Assembleia Legislativa representada na urna eletrônica pela jornalista Mônica Seixas (PSOL), feminista negra, moradora de Itu, a 100 km da capital. Na última eleição, ela concorreu à prefeitura de sua cidade.

O grupo é formado por nove cocandidatas – sete mulheres e dois homens, que incorporaram o plural feminino –, incluindo a paulistana Claudia Visoni, que a reportagem da RFI encontrou durante um evento de campanha no bairro da Pompeia.

"A escolha da Mônica para encabeçar a chapa nos pareceu uma evidência pelas causas que ela representa, a negritude e o feminismo. Esse é um experimento radical de transformação e renovação, uma espécie de hackeada na política, porque não é permitido que um coletivo se candidate", explica Visoni, jornalista, permacultora e ativista de agricultura urbana. "Somos um grupo não hierárquico, estamos funcionando assim na campanha e, quando nos elegermos, vamos continuar trabalhando de forma horizontal e coletiva", afirma.

A Bancada Ativista abrange um amplo espectro de linhas de ativismo, visando políticas públicas para a melhoria das condições de vida da maior parte da população e a redução das desigualdades.

"Eu represento a pauta da justiça socioambiental, mas o feminismo é bem forte. Os movimentos de negritude contra o racismo são muito fortes também. Temos uma cocandidata transexual, que traz a causa dos direitos LGBTQ+. Temos a saúde pública, representada pela Raquel Marques, a educação pública, com a Paula Aparecida. Anne Rammi traz as maternidades e as infâncias, assim no plural, porque as experiências são muito diversas, e a causa dela é 'mães na política'. Enfim, a gente cobre as necessidades que identificamos como as mais urgentes", destaca Visoni.

Políticas públicas de alto impacto e baixo custo

A Bancada Ativista tem influência muito forte de grupos municipalistas, devido à importância e à proximidade dessa unidade política da federação no dia a dia do cidadão. A esfera estadual, com atribuições nas áreas de segurança, em parte da educação e da saúde públicas, funciona de forma confusa, segundo a cocandidata, "em uma espécie de limbo entre as decisões federais e municipais". "A gente brinca que a Assembleia Legislativa é uma incógnita, uma caixa-preta", diz Visoni.

Uma das prerrogativas dos deputados estaduais é fiscalizar as ações do governo. Mas o que tem acontecido na prática, de acordo com Visoni, é a conversão desses eleitos em um tecido de proteção do Executivo estadual. "Ninguém sabe o que acontece lá dentro, eles não deixam aflorar comissões parlamentares de inquérito, mas a gente quer colocar os pés lá e influir", ressalta.

Um dos projetos da Bancada Ativista, que atua por princípio em conexão com as redes ligadas às suas nove cocandidatas e suas respectivas causas, é redirecionar o uso das verbas destinadas a emendas parlamentares, acessível aos parlamentares, mas distribuídas de maneira paroquial. A ideia é aplicar esses recursos em protótipos de políticas públicas de alto impacto e baixo custo, que beneficiem os cidadãos mais fragilizados. "Entre muitos projetos, precisamos proteger os rios urbanos em razão do cenário de escassez hídrica no Sudeste", detalha Visoni.

A cocandidata indígena Chirley Pankará dará atenção especial aos indígenas que vivem em meio urbano, numerosos no estado de São Paulo. "Um mandato coletivo representa uma rede de redes. Nenhuma de nós entrou na Bancada para representar a si própria, a sua pessoa. Nós estamos aqui para representar todas as pessoas envolvidas em nossas causas", conclui Claudia Visoni.

A equipe que ambiciona humanizar o Legislativo estadual e gastar o dinheiro público com mais eficiência conta ainda com a trans Érika Hilton e os cocandidatos Jesus Santos, comprometido com a cultura nas periferias e a equidade racial, e Fernando Ferrari, militante dos direitos humanos e defensor do orçamento participativo.

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