rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

“Romances em quadrinhos estão em momento especial”, diz ilustradora Luli Penna

Por Elcio Ramalho

Ilustradora e cartunista, Luli Penna esteve em Paris para falar e divulgar seu livro “Sem Dó” (Ed. Todavia), lançado em 2017 e já apresentado em outros países.

Ela vibra ao comentar como sua “graphic novel” em preto e branco foi alçada à categoria de literatura para os estudantes de pós-graduação da Universidade Sorbonne, no programa acadêmico sob orientação do professor e escritor Leonardo Tônus. 

“É sintomático deste momento em que os quadrinhos são elevados à qualidade de literatura. É um indício de como os quadrinhos estão em uma maré de aceitação e produção, pois em uma época eram considerados uma arte menor”, diz Luli.

Formada em Letras, ela deixou o universo acadêmico para investir na carreira de cartunista, iniciada com tiras e cartuns em jornais e revistas brasileiras. Mas a carreira tomou um novo rumo depois de ver Persépolis.

O livro da iraniana Marjane Sartropi provocou grande sensação mundial ao relatar em quadrinhos a saga de sua família de pais marxistas durante a revolução islâmica, em 1979. “Fiquei impressionada com a força da narrativa e como a história foi contada de maneira tão simples e em preto e branco. Fiquei tão impactada que também pensei em contar uma história mais longa”, recordou. 

No seu primeiro romance em quadrinhos, Luli Penna se debruçou sobre uma história familiar com foco no seu avô e tio-avô anarquistas espanhóis desembarcados no Brasil. Como se tornaram arquitetos famosos e se envolveram em muitas polêmicas, seria um prato cheio para o projeto. No entanto, durante sua pesquisa biográfica, a descoberta de fatos e vivência das mulheres da família fez o enredo ganhar outros contornos e deu voz a uma história de amor trágica, e de vidas marcadas pela opressão.

“Fiquei mais apaixonada por elas, foi importante ter passado para o mundo das mulheres e a história fluiu com mais facilidade, tanto no texto quando nas imagens”, destacou.

A história é ambientada na década de 1920 em São Paulo, período marcado pelo forte desenvolvimento industrial da cidade.

O romance também tem contornos de ficção e ganhou o estilo típico do cinema mudo, com os quadrinhos todos em preto e branco, sem a presença de balões típicos. A opção foi por uma linguagem como “as histórias eram contadas na época”, segundo a ilustradora.

Momento forte e especial

A recepção de “Sem Dٕó” tem sido muito positiva no Brasil, onde foi lançado em outubro de 2017, e nos países onde foram apresentados, como nos Estados Unidos, onde a publicação fez parte de um programa com escritores brasileiros em Chicago.

Ela credita a esse interesse ao momento em que esse gênero literário atravessa. “Apesar de não estarmos em um momento muito bom no Brasil, o quadrinho está em um momento interessante. Muita gente está produzindo, mulheres, autores importantes”, diz, lembrando de nomes como Marcelo D’Salete, autor de Angola Janga.

“Essas graphic novels, estão em um momento forte e especial no Brasil”, diz Luli que confessou ter novos projetos, entre eles um outro longo romance de quadrinhos, mas desta vez ambientado em uma atmosfera contemporânea.

 

 

Após sucesso na estreia, Grupo Sociedade Recreativa lança segundo álbum na França

“Lagerfeld era o camaleão da moda”, lembra estilista brasileiro Gustavo Lins

Fome Zero seguirá como meta da ONU para erradicar fome no mundo, afirma José Graziano

Brasileira apresenta na Berlinale documentário sobre ocupação dos Sem Terra em Goiás

“Direito à comunicação no Brasil ainda é muito atrasado”, diz fundador de web rádio indígena

"Alastrar competitividade para toda a economia brasileira está no radar do governo", diz diretor-geral da OMC

Fotógrafo curitibano expõe em Paris obras inspiradas na espiritualidade

Orçamento participativo e Bolsa Família são as principais políticas públicas “exportadas” pelo Brasil

“Brasil tem volta da oligarquia com uma política de extrema direita”, diz sociólogo da UFRJ

Compositor francês Debussy influenciou até Bossa Nova, lembra maestro Isaac Chueke

“Brasil e França trabalharam pelo silenciamento da memória escravista”, diz historiadora

Escritora Telma Brites Alves lança em Paris seu livro "Gaia: A Roda da Vida"

Cantora brasileira mistura música árabe e nordestina em álbum “Brisa Mourisca”

Movimento dos Atingidos por Barragens quer garantias de reparação total de danos às vítimas de Brumadinho

"Precariedade das favelas é estimulada pelo próprio Estado", diz historiador

Human Rights Watch: partida de Jean Wyllys é “triste para a esquerda e a direita”

“Falta educação no projeto de governo Bolsonaro”, diz Renato Janine Ribeiro

Apoiar oposição a Maduro é ingênuo e perigoso, diz especialista da Unicamp