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Ciro sinaliza que vai integrar frente anti-Bolsonaro no 2° turno

Segundo turno confirmado: dia 28 de outubro Jair Bolsonaro e Fernando Haddad se enfrentam nas urnas para ver quem será o presidente da República.

Raquel Miúra, correspondente da RFI em Brasília

O candidato do PSL teve 46,04% dos votos válidos. Ele liderou em todos os estados da região Sul, Sudeste e Centro Oeste. No Norte, perdeu apenas no Pará, vencendo em cinco estados da região.

Fernando Haddad conseguiu 26,24% dos votos e, mais uma vez, o Nordeste foi crucial para a passagem do petista ao 2° turno. O candidato venceu em oito estados da região, perdendo apenas no Ceará, terra de Ciro Gomes, onde o nome do PDT venceu seguido por Haddad na segunda posição e Bolsonaro, na terceira.

"Estamos ao lado da liberdade, da família, de Deus, ao lado dos que têm religião, mas também dos que não têm religião, mas são responsáveis. E vamos mostrar o risco de virarmos uma Venezuela. Precisamos unir os cacos da divisão que a esquerda nos impôs", disse Bolsonaro.

"Não será fácil o segundo turno. Eles têm dinheiro. Não podemos continuar flertando com o socialismo e o comunismo.Precisamos ficar mobilizados, faltam três semanas para o segundo turno. Nós temos que cobrar do TSE, se tivesse feito de outra forma, teríamos um novo presidente no primeiro turno",analisou.

Fernando Haddad também comemorou o segundo lugar e a garantia de uma segunda etapa da eleição. O PT chegou a se preocupar na reta final com o crescimento de Bolsonaro.

O militar perdeu no Nordeste, mas ficou em segundo lugar em quase todos os estados de lá, com uma diferença menor na comparação com a vantagem dele sobre Haddad no Sul, Sudeste e Centro Oeste."Vamos lutar para vencer pelo povo mais pobre e sofrido desse país. Nós não usamos armas. Não vou abrir os meus valores, principalmente a democracia",disse Haddad.

O petista também falou do desafio do segundo turno. "Será a oportunidade de ficar olho no olho, de comparar propostas. Será muito bom para o Brasil". Para o cientista político Ricardo Ismael da PUC Rio, foi uma eleição polarizada e marcada por fenômenos. "Bolsonaro teve oito segundos de campanha no rádio e na TV, e ficou 20 dias no hospital. Ele conseguiu chegar em primeiro lugar. Outro fenômeno é o Lula, que está preso, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro e colocou Haddad no segundo turno. Sem Lula, Haddad jamais chegaria",avaliou.

Apoio no segundo turno

Ciro Gomes ficou em terceiro lugar, conquistando 12,5% dos votos. Ele venceu no Ceárá, com 41% dos votos do estado. E no Rio de Janeiro passou Fernando Haddad e ficou em segundo lugar no estado fluminense.

Ciro disse que vai se reunir com a cúpula do PDT para anunciar a sua atuação no segundo turno, frisando que isso será em breve. E já sinalizou que deve integrar a frente anti Bolsonaro. "Uma coisa posso dizer, minha vida pública sempre foi pautada pela defesa da democracia e contra o fascismo".

Marina Silva, que já havia desidratado nas pesquisas e acabou com uma votação ainda menor, justificou o desempenho pela polarização atual no país. "Infelizmente a velha polarização se tornou tóxica esse ano, quem não estava nessa polarização teve um esvaziamento em função do voto útil. Nós estaremos com certeza na oposição".

Perguntada se isso significaria não apoiar ninguém, Marina disse que ainda vai se reunir com a Rede, seu partido. Na eleição, a ex-senadores adotou uma postura mais de centro, com críticas ao PT e a Bolsonaro. O Partido dos Trabalhadores disse que recebeu uma ligação de Marina após o resultado e que tentará reunir partidos não só da esquerda, mas também do centro. Haddad também conversou com Ciro Gomes e Guilherme Boulos, do PSOL.

Geraldo Alckmin também falou após os resultados confirmarem o segundo turno entre Bolsonaro e Haddad. Ele reconheceu a derrota e cumprimentou seus adversários. O tucano teve uma votação muito baixa, menos de 5%, mostrando a migração dos votos na reta final para os dois candidatos vencedores.

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