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Imprensa Eleições 2018 Jair Bolsonaro Brasil

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Para Le Monde, "triunfo de Bolsonaro desencadeia violência homofóbica" no Brasil

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O jornal Le Monde traz uma matéria sobre o aumento das violências contra os LGBT no Brasil, depois do primeiro turno das eleições. Fotomontagem RFI

O Brasil continua no foco da imprensa francesa nesta quinta-feira (11). Dois dos principais jornais franceses trazem matérias sobre os ânimos acirrados dos eleitores que vêm resultando em agressões e mortes no país.


Na matéria, a correspondente do Le Monde em São Paulo escreve que as associações LGBT denunciam um aumento nas agressões desde o sucesso do candidato do PSL no primeiro turno.

"Intimidações, insultos, agressões e até assassinatos", diz o texto, ressaltando que esses episódios foram registrados em um momento em que Bolsonaro, célebre por suas declarações homofóbicas, se mostra como o grande favorito para vencer as eleições.

A repórter enumera alguns desses episódios. No Rio, os banheiros das meninas de uma escola franco-brasileira foram pixados com a frase: "Sapatas vão morrer". Em Curitiba, um cabeleireiro homossexual foi assassinado por um homem que teria gritado "Viva Bolsonaro". No YouTube, grupos entoam canções contra gays e lésbicas. Uma delas, citada pela repórter, diz: "corre viado, Bolsonaro vem aí".

Além da violência contra a comunidade LGBT, Le Monde cita também as agressões decorrentes do ódio dos eleitores de Bolsonaro contra o PT. O site Mapa da Violência recebeu, em menos de uma semana, 50 denúncias que vão desde ameaças de estupro até agressões físicas, todas relacionadas com o fato de se opor ao candidato da extrema direita.

O jornal destaca que, na Bahia, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa foi morto com doze facadas por defender seu voto no candidato do PT, Fernando Haddad. Em Porto Alegre, três homens gravaram com um canivete uma suástica na barriga de uma jovem de 19 anos porque ela vestia uma camisa do movimento #EleNão.

Decepcionados com Lula

No jornal Le Figaro, a manchete é: "Os decepcionados com Lula que votam em Bolsonaro". A matéria assinada pelo correspondente do diário no Rio de Janeiro detalha quem são os eleitores atraídos pela extrema direita no Brasil.

Segundo as pesquisas de opinião, o retrato do eleitor do candidato do PSL é o de um homem, jovem, branco, que fez estudos superiores, que ganha um salário considerável, é religioso e mora em Estados do Sul e Sudeste do Brasil. No entanto, na prática, os resultados do primeiro turno mostraram que eleitores em situação econômica desfavorecida e de outras regiões do Brasil também votaram em Bolsonaro devido à decepção com o PT.

"O deputado do Rio soube encarnar a raiva dos brasileiros contra a esquerda, a corrupção, a violência, e cristalizar os descontentamentos diante do desemprego que atinge 13 milhões de brasileiros depois de uma recessão histórica. Uma boa parte deles também manifestam o desejo de uma direita rígida e partidária de um regime militar", conclui Le Figaro.