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“Apenas distanciamento histórico vai explicar o que deu errado no Brasil”, diz cineasta Filipe Galvon

Por Silvano Mendes

O cineasta Filipe Galvon lançou na França, onde vive, o documentário “Encantado”. O filme, co-produzido pelo canal público francês Public Sénat, se interessa por uma parte da história do Brasil, relatada por personalidades políticas, filósofos, mas também brasileiros que vivem ou viveram na França e acompanharam de longe a transformação do país.

O documentário, apresentado como uma leitura histórica e ao mesmo tempo poética da crise brasileira dos últimos anos, tem como ponto de partida a escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. “Aquele momento foi o clímax de um certo encantamento que o Brasil provocava para o mundo, como um país que finalmente se afirmava, com grandes perspectivas de crescimento e inclusão social”, lembra o cineasta. Para contar sua história, ele usa como metáfora da crise brasileira atual o Encantado, bairro onde nasceu, que foi transformado pelas obras das Olimpíadas e abandonado em seguida.

Galvón, que estudou cinema em Paris, diz ser fruto desse momento histórico, como parte do que chama de primeira geração de classe popular a estudar fora do Brasil. “Sou a primeira pessoa da minha família a poder ter feito isso e tem a ver com essa época de ouro dos anos Lula e Dilma, que permitiram não só a prosperidade econômica, mas também a inclusão de uma certa classe média baixa”, analisa.

Dilma, Haddad, Ciro e Boulos analisam situação política

O jovem cineasta completa seu ponto de vista em comentários de outros brasileiros, também residentes na França. “A perspectiva de estar distante nos permite enxergar de maneira mais panorâmica e sem estar contaminado pelo dia a dia da crise e do medo da violência que cresceu nos últimos três anos”, argumenta. No entanto, o filme, cuja narrativa termina no momento da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também traz depoimentos de personalidades políticas, como Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Fernando Haddad, e até a ex-presidente Dilma Rousseff, além do filósofo francês Alain Badiou, que tentam, cada um com seu prisma, avaliar a instabilidade recente do Brasil.

“É muito difícil explicar o que deu errado. O distanciamento histórico vai nos permitir”, pondera o diretor. “A gente vive um momento de extremos no mundo todo. E talvez a esquerda, que num certo momento deveria assumir uma agenda popular para a qual ela tinha sido eleita, tenha perdido o momento de colocar isso em prática”, continua. “Acho que isso gerou um desencanto à esquerda, que facilitou esse movimento da direita de se reivindicar algumas bandeiras de revolta para eles e ocupar a rua”.

Assista a entrevista completa no vídeo abaixo.

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