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“Uso da religião está sendo deturpado nas eleições", diz médium Divaldo Franco

Por Elcio Ramalho

Em um giro por vários países da Europa para palestras e conferências para divulgar a doutrina espírita, o médium Divaldo Pereira Franco comentou também em entrevista à Rádio França Internacional a interferência da religião no atual processo político eleitoral brasileiro.

“Não se pode levar religião para nenhum templo político. Mas o cidadão, do ponto de vista filosófico, é iminentemente político”, teoriza o educador de 91 anos, ao se referir à crescente influência do discurso religioso na esfera política brasileira.

“Felizmente atingimos a maturidade da democracia, das eleições livres, mas muitos indivíduos não estão politizados, não sabem compreender que podemos discrepar da ideia mas não do indivíduo. Estamos vivendo um momento de muita calúnia, acusações, e isso confunde a massa”, afirmou.

“O uso da religião está sendo deturpado por alguns que pegam as suas paixões e generalizam”, diz, sem citar exemplos específicos. “O indivíduo tem paixão pela doutrina A ou Z, utilizam nomes de pessoas veneráveis, ou de pessoas dignas e trabalhadoras, ou se utilizam das comunicações virtuais para adulterar informações da internet, demonstrando uma fraude que não corresponde à verdade. Isso é lamentável”, acrescentou.

“O indivíduo religioso não deve obrigar as pessoas a pensar como ele pensa. Ele estuda o programa e cada um tem sua liberdade de consciência. O voto é livre, mas parece que não está sendo muito livre, mas imposto sob ameaças”, analisou.

Candidatos pacíficos

Questionado sob o lema adotado pelo candidato Jair Bolsonaro de ter colocado em seu programa a frase: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, Divaldo Pereira Franco interpretou como uma garantia de liberdade de culto de várias religiões.

“O candidato, ao falar disso, está convidando todos para abandonar as diferenças religiosas e pensem na base principal, que é a crença em Deus. No caso, ele defenderá a todos os que tenham religião o direito ao culto livre e não à mordaça de qualquer natureza, da religião, como colocadas à público por meio da imprensa”.  

Conhecido como um dos principais propagadores da doutrina, Divaldo esclareceu que o espiritismo no Brasil não busca um ativismo político como visto pelas igrejas evangélicas, que contam com uma Frente Parlamentar formada por 199 deputados, que representam 39% dos parlamentares.

“A questão religiosa é no templo e na conduta social”, diz, lembrando que no passado, seguidores deste movimento também se destacaram na arena política, como Bezerra de Menezes. Na atual eleição, seu conselho é para os eleitores votarem baseados na identificação com o programa dos candidatos.

“Nós, espíritas, preconizamos pelos candidatos pacíficos e pacificadores. Muitos apresentam um programa de violência ante a violência, mas optamos por aqueles que têm a moralidade e dignidade”, afirmou.

Expansão do espiritismo na Europa

Codificada em meados do século 19 na França pelo educador Hyppolite Léon Deonizard Rivail, mais conhecido como Alan Kardec, a doutrina espírita teve um período de dificuldades e desinteresse no país, especialmente no período das duas grandes Guerras. Mas a expansão continua, segundo o especialista. O 2°Congresso, realizado em Menton, no sul da França reuniu mais de 300 pessoas, entre elas, líderes religiosos católicos para discutir o tema "Medicina, Ciência, Filosofia e Religião: qual o futuro com o movimento espírita?"

“Atualmente o espiritismo se expande na França e em todo o mundo com grande facilidade. Em Londres, nossas conferências reúnem mais de mil pessoas, em Portugal, pela proximidade da língua, mais de duas mil pessoas. Nos países do leste europeu a doutrina está chegando depois das torturas do comunismo e na Rússia livros já estão sendo traduzidas. Está havendo um ‘boom’ pela busca espiritual”, destaca.

 

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