rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Entre vizinhos, Bolsonaro privilegia Chile e Mercosul perde prioridade

Por Márcio Resende

Os primeiros movimentos do presidente eleito, Jair Bolsonaro, indicam uma mudança significativa na prioridade da política externa brasileira em relação aos países vizinhos. Ganha preponderância o Chile e o seu modelo econômico ultraliberal. Perde relevância o Mercosul, plataforma de inserção comercial brasileira durante os últimos 27 anos.

Correspondente da RFI Brasil em Buenos Aires

A importância da relação Brasil - Argentina, como eixo da integração regional, também pode perder peso. Jair Bolsonaro também pode tornar-se o aliado principal de Donald Trump para liderar uma oposição mais contundente contra a Venezuela de Nicolás Maduro e para conter o avanço da China na América do Sul.

Bolsonaro anunciou que sua primeira viagem internacional será para o Chile. Isso significa que, primeiro, o Brasil interrompe uma tradição, iniciada com Fernando Henrique Cardoso, de fazer da Argentina o primeiro destino internacional de um novo presidente. A Argentina é o sócio mais estratégico do Brasil.

Segundo, a primeira viagem de um presidente é um sinal de quais serão os aliados mais importantes para um novo governo. Portanto, deixar a Argentina num segundo plano e apontar o Chile como exemplo a ser seguido é uma mudança tanto na política externa, quanto no modelo econômico.

Foi no Chile, onde o indicado ministro da Economia, Paulo Guedes, deu aulas durante a ditadura de Augusto Pinochet. E foi a ditadura de Pinochet a responsável por adotar o modelo ultra liberal de Milton Friedman, propagado pelos economistas formados na Universidade de Chicago, como Paulo Guedes.

Agora, o modelo chileno funciona num país sem praticamente indústrias, que vive basicamente de exportações frutas, madeira, salmão, vinho e, principalmente, cobre. É um modelo muito diferente do brasileiro, que tem indústria a ser protegida.

No domingo, durante conversa com o eleito Jair Bolsonaro, o presidente Mauricio Macri fez um convite para uma visita à Argentina. Uma oportunidade seria participar da reunião de cúpula do G20 em 30 de novembro, quando 26 presidentes estarão aqui em Buenos Aires.

Mercosul deixa de ser prioridade

Paulo Guedes disse que o Mercosul não será mais uma prioridade e que o Brasil quer negociar de forma bilateral com o mundo. De novo, o Chile aparece como referência. Jair Bolsonaro disse que não pretende implodir o Mercosul, mas retirar as "amarras" do bloco.

A Argentina recebeu mal a informação, mas o governo argentino preferiu não se manifestar e esperar o que realmente será feito a partir da posse do novo governo. O Mercosul, formado também pela Argentina, pelo Uruguai e pelo Paraguai, é o eixo da integração regional. É a plataforma de inserção comercial do Brasil no mundo.

Como uma União Alfandegária, no Mercosul, nenhum país pode negociar acordos comerciais com outros países e blocos de forma individual. Neste momento, o Mercosul está em negociações com a União Europeia, com a Associação Europeia de Livre Comércio, com o Canadá, com Cingapura, com a Coreia do Sul e a ponto de iniciar com o Japão.

As negociações bilaterais que Paulo Guedes pretende só serão possíveis se o Mercosul recuar a uma mera zona de livre comércio, desfazendo o nível de integração atual. O ministro argentino das Relações Exteriores, Jorge Faurie, disse que não vai especular sobre o que um ministro apenas designado disse antes de ele começar a sua função e que é preciso esperar para ver quais decisões ele vai tomar.

Bolsonaro pode ser melhor aliado de Trump na região

Depois do Chile, o presidente eleito pretende visitar os Estados Unidos, demonstrando sintonia com o presidente Donald Trump. Para os vizinhos, isso é visto como um possível aumento da pressão sobre a Venezuela.

Até agora, a grande referência do presidente Donald Trump na América do Sul era o seu amigo, o presidente argentino Mauricio Macri.

Mas, apesar da amizade com o argentino, Donald Trump talvez tenha conseguido o seu melhor aliado na região. Jair Bolsonaro não só declara admiração por Trump, algo que nenhum presidente da região ousou fazer, como também pode ter uma posição mais combativa contra a Venezuela. De quebra, Bolsonaro também pode ser um aliado no embate dos Estados Unidos contra o avanço da China na região.

O presidente argentino também ganhou muita projeção nos foros internacionais, como o próprio G20 que atualmente Macri preside, devido à ausência do protagonismo do Brasil no cenário externo desde a destituição de Dilma Rousseff.

Até mesmo nas negociações do Mercosul com a União Europeia, foi Mauricio Macri quem conduziu a estratégia política do bloco.

Agora, com Bolsonaro no Brasil e com Ivan Duque na Colômbia, o cerco contra a Nicolás Maduro na Venezuela pode aumentar. Nicolás Maduro se antecipou e, em nota, pediu a Bolsonaro que reate relações diplomáticas com a Venezuela.

É possível ainda que o Brasil siga o exemplo da Colômbia e também se retire da UNASUL, isolando ainda mais a Venezuela.

 

No Chile, líderes sul-americanos criam PROSUL para substituir a falida UNASUL

Brexit: em nova cúpula, UE decide se autoriza o adiamento do divórcio com Reino Unido

"Anistia" para migrantes grávidas que derem filhos para adoção choca espanhóis

Visto, acordos econômicos e transferência tecnológica estão na agenda de Bolsonaro nos EUA

Aniversário de 60 anos do exílio leva China a proibir turistas no Tibete até abril

Em plena campanha eleitoral, Netanyahu se envolve em briga com atriz que interpreta Mulher-Maravilha

Após obter novas garantias junto à UE, Reino Unido vota novamente acordo do Brexit

Venezuela: apagão leva Guaidó a pedir instauração do estado de emergência

Greve de mulheres espanholas exige igualdade salarial no mercado de trabalho

Vaticano faz em Manaus reunião preparatória para Sínodo da Amazônia, criticado por governo Bolsonaro

China corta impostos e anuncia "batalha" para combater desaceleração da economia

Venezuela: manifestações marcam retorno de Guaidó, que pode ser preso

Mostra em Berlim reconstrói cidades históricas sírias destruídas pela guerra

Brasil faz escolha coerente ao descartar conflito armado na Venezuela, dizem analistas