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Brasil Economia Jair Bolsonaro

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Agência de classificação de riscos confirma otimismo após eleição de Bolsonaro

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Paulo Guedes, apontado como novo ministro da Economia, responde aos jornalistas após primeira reunião com o presidente eleito Jair Bolsonaro REUTERS/Sergio Moraes

No dia seguinte da eleição de Jair Bolsonaro para a presidência, a agência de classificação de riscos Austin Rating divulgou um relatório de projeções econômicas para o Brasil. Bastante otimista, o documento estima que as ações avançadas pelo futuro ministro Paulo Guedes estão tranquilizando os mercados e que os investimentos devem ser retomados já em 2019.


Enviado especial a São Paulo

Segundo o relatório, a vitória de Bolsonaro vai impactar positivamente a confiança dos agentes econômicos, especialmente investidores e empresários. O documento aponta para um “efeito direto sobre a redução dos prêmios de risco e valorização dos ativos financeiros, bem como na retomada mais rápida do nível dos investimentos nos setores produtivos que vão acelerar o ritmo de recuperação da economia brasileira já no curto prazo”.

Entre os números avançados pela agência, estão a previsão de uma taxa de crescimento real do PIB de 3% em 2019 e 3,4% no ano seguinte. Ainda de acordo com o relatório, o índice de desemprego passaria de 11,5% da população ativa este ano para 9,5% em 2019 e 8,5% em 2020.

“Estamos bastante otimistas”, celebra Alex Agostini, economista-chefe da Austin, que atribui as previsões positivas em grande parte a próxima equipe econômica, que será dirigida por Paulo Guedes. “O currículo dele é voltado para o liberalismo de mercado e ele entende que é necessário reduzir o tamanho do Estado, que é um problema hoje no Brasil”, continua, lembrando que atualmente 70% dos gastos do governo são com despesas de “uma máquina ineficiente”.

Alex Agostini é economista-chefe da agência Austin Rating em São Paulo RFI

Oportunidades de investimento

O economista explica que esse é o momento de investir no país. “Primeiro porque o Brasil é carente em diversas áreas, como infraestrutura de transporte. E nos últimos anos o país perdeu o valor e se depreciou diante do mundo porque não cresceu. Com isso, abre-se uma oportunidade de empresas e investidores conseguirem colocar dinheiro no Brasil com um volume menor e com expectativa de retorno maior ao longo do tempo por um governo que tem dito que vai priorizar o equilíbrio fiscal”.

Agostini estima que a retomada dos investimentos deve acontecer já a partir de 2019. “Os empresários estão apostando no Brasil e a gente sabe do potencial do país”, explica. “Nós temos pelos menos 100 milhões de brasileiros que fazem parte da população economicamente ativa e isso é uma massa de consumidores muito forte". No entanto, pondera o economista, "o problema é que a renda média no Brasil é muito baixa (R$ 2200 é a média do salário de um brasileiro) e nós temos 13 milhões de desempregados. Na medida em que melhorar as questões do mercado de trabalho e o aumento da renda, mesmo que gradativa, e a queda do desemprego, o potencial de consumo é muito grande. Aí sim nós poderemos mudar essa situação de investimento no país que, hoje, é de apenas 16%”.

Coesão política será necessária para implementar reformas

No entanto, Agostini alerta para os desafios. “O primeiro deles é aprovar a reforma na previdência e atingir o equilíbrio fiscal”. A advertência corresponde ao tom dado nesta terça-feira (30) pelo próprio Guedes, que colocou novamente, após as primeiras reuniões com o presidente eleito, esses dois aspectos como suas prioridades.

Porém, como lembra o relatório da Austin, ainda será necessário “obter coesão e maioria no Congresso Nacional para aprovar as reformas importantes”. É o que Guedes chamou de “cálculo político” para evitar que “uma vitória se transforme em uma confusão no Congresso”.