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Moro deixa a posição de quase semideus e passa a ser ministro em cenário conturbado, diz cientista político

Elogios e críticas marcaram a escolha do juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça de Jair Bolsonaro. O magistrado que comandou a Lava Jato em Curitiba aceitou nesta quinta-feira (1) o convite do presidente eleito para assumir a pasta.

Raquel Miúra, correspondente da RFI em Brasília

A pasta da Justiça voltará a englobar a Segurança Pública e poderá abranger também atribuições de órgãos como Controladoria Geral da União. Bolsonaro disse que esses limites estão sendo analisados pela equipe jurídica. Outra possibilidade é que o COAF – Conselho de Controle da Atividade Financeira – hoje ligado ao Ministério da Fazenda, seja transferido para o ministério de Moro.

Muitos viram na decisão de Moro um passo do juiz para ocupar à frente uma vaga no Supremo Tribunal Federal ou mesmo, arriscam outros, a disputar um cargo no Executivo, como a presidência da República. O cientista político Mellilo Dinis, diretor do Instituto Brasileiro de Direto e Controle de Administração Pública, avalia que o desafio de Moro será grande, ao encarar a máquina pública e o modo de fazer política no país, com pressão de todos os lados: “Ele deixa a posição de quase um semideus e passa a ser um ministro, um personagem da política brasileira, em um cenário conturbado como o nosso”.

O PT usou a nomeação para reforçar críticas à condução de Moro em Curitiba, onde tramitou a ação de Lula envolvendo o apartamento no Guarujá, que o tirou da disputa eleitoral deste ano, e onde estão outros processos contra o ex-presidente.

“Esse convite a Moro foi feito antes das eleições e ajuda a explicar a atitude política dele na campanha. A começar pela divulgação da delação de Antonio Palocci, coisa que ninguém entendeu na época e que agora faz sentido”, disse o líder do PT, deputado Paulo Pimenta.

“O juiz trabalhou para evitar que Lula desse entrevista durante a campanha, além de outras posturas dele, que atuou como militante”. Bolsonaro minimizou as críticas do PT. “Nem conhecia Sérgio Moro direito, pessoalmente. Ele fez um brilhante trabalho no combate à corrupção”.

"Condenados vão reforçar críticas"

O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, Edivandir Paiva, também saiu em defesa do juiz: “Os condenados vão reforçar as críticas, isso já era esperado. Mas foi um excelente nome para a pasta da Justiça. Ele dará condições para que os órgãos atuem de forma contínua no combate ao crime organizado”.

Ségio Moro deixa agora a carreira de juiz e os processos que ele tocava na primeira instância. Jair Bolsonaro já desenhou parte de seu ministério e disse que além de Moro seu governo terá outros dois super ministros.“Temos três super ministérios, digamos assim. O Paulo Guedes na Economia. O general Augusto Heleno na Defesa, porque os militares vão sim participar da política de segurança nacional no meu governo, não serão relegados ao segundo plano como foi no governo Fernando Henrique e no do PT. E também esse ministério da Justiça e Segurança Pública”.

O presidente eleito admitiu que pode, mais uma vez, recuar na fusão de outras duas pastas: Agricultura e Meio Ambiente. A ideia de unir o comando delas num só nome partiu da equipe de Bolsonaro, mas esbarrou em críticas de vários setores, inclusive dos produtores rurais que viram riscos de retaliação do Brasil no cenário internacional, ao passar a imagem de negligência em relação às políticas ambientais.

“Não tenho problema algum em voltar atrás. Mas digo que a escolha do ministro do Meio Ambiente será de Jair Bolsonaro."

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