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Grupo franco-brasileiro Bel Air de Forró é finalista em concurso internacional

Por Maria Paula Carvalho

O grupo franco-brasileiro Bel Air de Forró vem conquistando o público da França com uma mistura de ritmos do nordeste brasileiro e da região francesa da Bretanha. O trio está entre os finalistas do Festival Villes des Musiques du Monde.

O grupo é formado por Mariana Caetano, nos vocais, Marcelo Costa, na percussão, e o acordeonista bretão Yann Lecorre. Eles participam do evento, que vai até o dia 11 de novembro, e estão entre os seis finalistas de um concurso de músicos do mundo todo, que teve participação de artistas de diversos países.

“A expectativa é muito grande, a gente está muito feliz de estar entre os finalistas, de poder levar a música brasileira à final desse concurso de músicas do mundo, em Paris”, diz Mariana.

O grupo mergulha nas influências da música brasileira, como o forró, o maracatu, o coco, numa mistura temperada com a cultura do oeste da França.

“Yann chegou no grupo tocando acordeão. Ele tem uma visão bem moderna da música bretã e trouxe essa maneira de tocar, que é um suíngue um pouco diferente, e a gente tenta adaptar ao que fazemos. Por enquanto estamos numa eterna busca de quais são as melhores maneiras de fazer isso, mas é muito gostoso justamente essa pesquisa musical”, explica Marcelo.

“Eu gosto muito da música popular do Brasil e tem uma mistura muito fácil com a música da Bretanha”, conta Yann.

Nascida no Rio de Janeiro, com um trabalho anterior no teatro, Mariana Caetano vive na França desde 2004. Ela costuma dizer que o contato com o patrimônio musical extremamente vivo da Bretanha lhe transformou como pessoa. O mais curioso é entender porque essa carioca não apostou no samba, mas sim na música do nordeste brasileiro.

“Apesar de ser carioca e amar muito o Rio de Janeiro, meu coração bate forte pelo estado de Pernambuco. Eu morei na cidade histórica de Olinda, onde cheguei com minha mala, um acordeão de 32 baixos e fiz aula com Arlindo dos oito baixos. Então para mim foi sempre uma evidência que fazer música seria misturar a ciranda, o maracatu, o forró”, conta. “E quando eu encontrei o Marcelo aqui, já tem mais de dez anos, havia coisas similares entre nós, pesquisávamos as mesmas coisas, essa busca de valorizar um outro olhar sobre o Brasil, ainda mais que estávamos morando fora do país, e de levar algo além do samba, que já tem um lugar conquistado na história da música”, completa.

O grupo lançou o primeiro álbum, chamado na Estrada, em 2016, e está preparando outro para 2019, intitulado Sertão do Mar.

“O título nasceu de uma música que o Yann compôs, com essa influência um pouco bretã, e eu acho que representa a busca que tínhamos por compor. No primeiro disco fizemos muitos covers de músicas que já existiam e agora nesse segundo disco estamos animados para colocar cada vez mais coisas que nós criamos juntos”, diz o percussionista Marcelo. 

Forró em francês

Na hora de compor, o grupo trabalha nas duas línguas. “Nós gravamos uma música em francês no primeiro disco que todo mundo adorou e estamos animados para compor mais em francês. Estamos testando coisas nas músicas tradicionais, em transformar as letras e adaptar um pouco, porque sempre as pessoas ficam muito curiosas aqui na França para saber do que a gente está falando. Queremos abrir para eles conhecerem as temáticas da música do sertão” completa Marcelo.

“A gente fala sempre muito de amor, como fala o forró, da condição do nordestino, como no início do forró, com Luiz Gonzaga, que era mostrar como é o cotidiano desse povo do sertão, da seca, da dificuldade da vida cotidiana. É claro que nós não moramos no sertão, mas estamos defendendo essa música e acredito que esses temas, da vida dessas pessoas, vão sempre vir nas nossas letras”, afirma Mariana.

“Uma coisa que é muito difícil para gente aqui na França é o estereótipo do que é o brasileiro, porque tem essa ideia da festa, do futebol, do carnaval. A gente tem a intenção de mostrar esse outro lado do Brasil que seria um pouco o nordeste e a condição desse povo”, conclui Marcelo Costa.

 

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