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De Trump a Bolsonaro, populistas fingem encarnar voz do povo, mas negam pluralidade de opiniões

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Os populistas têm uma visão passiva do povo, diz o jornal Libération desta terça-feira (6). Fotomontagem RFI

O presidente recém-eleito no Brasil, Jair Bolsonaro, continua no foco da imprensa francesa nesta terça-feira (6). No jornal Libération, o cientista político alemão Jan-Werner Müller, da Universidade de Princeton, analisa a ascensão das direitas radicais no mundo, principalmente no Brasil, "que acaba de eleger "um líder ultranacionalista e xenófobo".


"Erdogan na Turquia, Modi na Índia, Salvini na Itália, Orbán na Hungria, Trump ou Bolsonaro, todos eles fingem encarnar a voz do povo", dentro de uma imagem imposta, homogênea, fixa e não discutível dos cidadãos, analisa Müller. Não é à toa que Trump e Bolsonaro disseram que não aceitariam uma derrota porque, segundo o cientista político, "todos os populismos compartilham a negação da pluralidade das opiniões".

Esse antipluralismo se manifesta, por exemplo, no boicote aos jornalistas e à imprensa tradicionais, como Bolsonaro, que "gerou um curto-circuito nas mídias mainstream via a utilização intensa do whatsapp" e "reconheceu que não participaria dos debates na televisão antes do segundo turno", diz.

Para Müller, isso denota a visão "extremamente passiva" que os populistas têm do povo. "Dizer que eles querem a democracia direta e a participação permanente dos cidadãos é falso", diz o cientista político, ressaltando que "não é à toa que na Hungria, na Polônia e nos Estados Unidos, os populistas no poder nada fizeram para melhorar a participação dos cidadãos na democracia". Isso porque, na visão destes líderes, o único objetivo é validar a ideia da opinião majoritária, mesmo que isso signifique a manipulação da mesma, conclui o cientista político em entrevista ao jornal Libération.

Mercados reagem positivamente

"Bolsonaro empurra os mercados brasileiros para cima" é manchete do jornal Les Echos. O correspondente do diário em São Paulo, Thierry Ogier, destaca que a Bovespa bateu recordes históricos depois da eleição do pesselista.

"Uma alta de 12% do real e 21% do dólar, depois de a moeda americana ter caído 8% em outubro", destaca Les Echos. Para o jornal, ao que tudo indica, a Bolsa deve continuar progredindo e batendo recordes nas próximas semanas e os bancos de investimento já abordam a possibilidade de realizar a abertura de capital de 30 empresas no próximo ano, contra apenas cinco em 2018.

Toda esta euforia se deve, segundo especialistas entrevistados pelo diário, à derrota do PT nas eleições. Se o partido tivesse vencido, teria praticado uma política de intervenção nas grandes empresas do país, ideia que desagradava investidores, reitera a matéria.

Além disso, o anúncio dos primeiros nomes da equipe de governo de Bolsonaro foi bem recebido pelo mercado, que aplaude a intenção do pesselista de lutar contra o déficit orçamentário, realizar a reforma da Previdência e privatizações, publica Les Echos.