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“Ser estrangeiro me fez escritor”, diz Natan Barreto, que lança livro de poesias em Paris

Por Elcio Ramalho

Escritor, poeta, professor, nascido em Salvador mas residente há 28 anos na Europa, Natan Barreto é o entrevistado desta quarta-feira (21) do RFI Convida. Ele lança em Paris seu novo livro de poesias, “Um quintal e outros cantos”, publicado pela editora Editus.

O compilado de poemas de Natan Barreto, que também foi lançado em Salvador e no Rio de Janeiro, além de Beirute, no Líbano, chega agora à capital francesa. Segundo o autor, trata-se de um livro diferente dos anteriores. “São poesias, mas com teor autobiográfico. Então, em um ‘quintal’, eu falo de Periperi, subúrbio soteropolitano onde moravam meus pais e de onde eu saí aos 19 anos de idade. E os ‘outros cantos’ são lugares pelos quais eu passei após deixar Periperi”, explica.

O autor, que morou no Rio de Janeiro, passou também por Minas Gerais, Paris, e se estabeleceu em Londres. “Há também visitas à Espanha, Amsterdã, Nova York... Quando a gente ouve ‘cantos’, parece que me refiro a cantar. Sim, eu canto esses cantos, são cantos dos quatro cantos do mundo”, diz Barreto. “O quintal é o lugar primeiro, esse porto ao qual sempre retorno, Periperi, subúrbio de Salvador, e os outros cantos são lugares que fizeram parte da minha história”, continua o poeta.

Natan Barreto conta que era ator, mas que se descobriu escritor na capital francesa. “Passei um ano em Paris e foi aqui que descobri a escritura. O ator começou a sumir de certa forma, mesmo que às vezes ele apareça, às vezes faço um curta-metragem, uma peça em Londres... Não digo mais que o ator morreu, ele adormeceu”, afirma o escritor.

“Mas aqui em Paris o escritor foi surgindo. Comecei a escrever quando posava como modelo vivo, foram aparecendo coisas a partir das minhas impressões. Ser estrangeiro me fez, de certa forma, escritor. É minha visão do novo mesclada ao que eu deixei para trás”, conta.

Experiência em um país do Oriente Médio

Natan Barreto comenta que sua segunda estadia no Líbano foi “maravilhosa”. “Confesso que na primeira vez eu tive medo pela proximidade com a Síria, com a guerra, havia uma certa apreensão, que foi completamente apagada”, diz. Barreto fez sua estreia no Líbano em 2017, quando participou de uma viagem com um grupo de escritores brasileiros que residem no exterior, organizada por uma professora que trabalha na Inglaterra.

“Desta vez fui lançar o novo livro no Centro Cultural Brasil-Líbano, ligado à Embaixada brasileira. Existe uma comunidade brasileira no Líbano, assim como existe uma comunidade libanesa muito grande no Brasil. Também participei da programação do Dia das Crianças lá, lendo poesias do meu livro infantil ‘Bichos, poesias desenhadas’”. Barreto contou que o grupo de escritores brasileiros é formado por autores residentes no Canadá, nos Estados Unidos, no Japão, no Oriente Médio e em vários outros países.

“É um trabalho dessa professora, Else Vieira, que mora em Londres, e que começou a descobrir e reunir esses escritores por volta de 1992. Hoje existem cerca de 80 ou 90 autores registrados nesse grupo, que se reúnem uma vez por ano, em um determinado país”, afirma Barreto, que faz parte da Primeira Antologia Bilíngue da Diáspora Brasileira, publicada pela Mazza Edições no Brasil.

Poesia não trabalha com pressão comercial

Sobre a divulgação da literatura brasileira por autores que moram fora do Brasil, Natan afirma que o caso da poesia é especial. “Primeiro de tudo, eu trabalho com poesia, então para mim existe uma coisa interessante: não existe dinheiro envolvido. A gente não vai escrever um best seller. A poesia pode ser lida ao longo de décadas, séculos, milênios, ou não. Pode continuar a ser lida após a morte do escritor. Isso é bom, não dá essa ânsia de escrever um livro para milhares de pessoas, não existe essa pressão comercial”, conclui o autor.

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