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Macron visita Molenbeek, bairro de Bruxelas conhecido como “QG do terrorismo”

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O casal real belga e o casal presidencial francês em Molenbeek, Bruxelas, em 20 de novembro de 2018. EMMANUEL DUNAND / AFP

A ideia da visita do chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, nesta terça-feira (20) era “virar a página”. Macron se refere ao difícil relacionamento da França com este pequeno bairro belga, localizado nos subúrbios da capital, Bruxelas. Um bairro que ganhou a triste reputação de ter abrigado o que parece ter sido um verdadeiro “antro europeu” de terroristas. Foi em Molenbeek que Salah Abdeslam, o único sobrevivente entre os jihadistas dos atentados de novembro de 2015, em Paris, foi preso.


Com informações de Valérie Gas, enviada especial da RFI a Molenbeek

Após os trágicos atentados que vitimaram 130 pessoas na capital francesa, em 2015, o governo belga se comprometeu com o vizinho francês a lutar contra o terrorismo em Molenbeek e a desmantelar células terroristas ainda atuantes no local. As investigações das autoridades francesas e belgas demonstraram que diversos camicases dos atentados de Paris e Bruxelas eram originários desse pequeno município suburbano.

Emmanuel Macron, em visita de Estado à Bélgica, foi até a Vallée (Vale, em português), como é conhecida a região onde se situa Molenbeek, nesta terça-feira (20). Acompanhado pelo rei da Bélgica, Philippe, e pela rainha Mathilde, e ao lado de sua esposa, Brigitte, o presidente francês conheceu empresários e jovens emblemáticos da renovação do bairro. A região de la Vallée é reputada por ser um local de desenvolvimento de novas tecnologias e startups diversas.

"Acho que a pior coisa que poderia acontecer seria simplesmente assimilar o que aconteceu na vizinhança, dizer que não podemos superar o que houve. Molenbeek não pode se resumir a uma série de eventos ruins. Isso não é verdade, não é justo", disse o presidente francês, durante a visita.

Jovens em vulnerabilidade social

O rei belga e Macron optaram por destacar uma outra face do local: a de um bairro cheio de ferramentas que ajudam os menores em dificuldade, como explicou Philippe. "Estas iniciativas cuidam especialmente daqueles jovens que estão realmente na rua, que estão abandonando a escola e que não têm mais nada", disse.

Rachida, moradora de Molenbeek, relata sua experiência em uma associação de "coachs" de “desistentes”: "Eu estava em pleno abandono escolar. Eu estudava gerenciamento contábil. Eu tinha 20 anos e me contaram sobre uma associação que poderia me ajudar. Honestamente, isso me ensinou a confiar em mim mesma, a ir a entrevistas de emprego. "

"Não é porque nascemos neste ou naquele lugar, no nosso país, que não temos o direito de ter um projeto próprio. E se não temos projeto para nós mesmos, não somos bons para o resto", comentou Macron.

Bairro já foi chamado de Molenbeekistão

Molenbeek é uma área popular na periferia de Bruxelas onde moram 96 mil pessoas. O bairro, que passou a ser chamado por alguns de Molenbeekistão, em referência ao Paquistão, país conhecido pela sua concentração de pessoas envolvidas com terrorismo, é composto por uma população de maioria belga, descendente de imigrantes e muçulmanos. E mesmo se os moradores se sentem estigmatizados, até mesmo as autoridades europeias já aceitaram o fato de que ativistas radicais islâmicos passam por lá.

“Eu constato que há quase sempre uma ligação com Molenbeek. Nos últimos meses, várias iniciativas já foram tomadas na luta contra a radicalização, mas é preciso mais repressão”, declarou o primeiro-ministro belga, Charles Michel, após os ataques de Paris.