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Carlos Ghosn

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Carlos Ghosn nega acusações de fraude fiscal no Japão

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Carlos Ghosn no noticiário japonês. REUTERS/Toru Hanai

O franco-libanês-brasileiro Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan, preso há uma semana no Japão por suspeita de fraude fiscal, desmentiu todas as acusações que lhe são feitas. A informação foi divulgada neste domingo (25) pela rádio pública japonesa NHK.


O ex-presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi abriu mão de seu direito de silêncio e falou à Justiça japonesa pela primeira vez desde que foi detido na última segunda-feira, em Tóquio. Ghosn declarou aos investigadores que nunca teve a intenção de dissimular parte de sua renda ao fisco, informa a NHK, sem citar fontes.

Seu braço direito, o americano Greg Kelly, também foi preso na mesma ocasião. No sábado (24), ele declarou que os salários de Ghosn eram pagos de maneira regular.

De acordo com os jornais Asahi e Nikkei, Ghosn teria dissimulado um total equivalente a €62 milhões. Ghosn também é suspeito de não ter declarado um bônus de mais de € 30 milhões gerado pela mais valia das ações da Nissan.

A agência de notícias Kyodo afirma que a Nissan pagava US$ 100 mil por ano à irmã de Ghosn, desde 2002, por uma atividade fictícia no conselho da empresa.

A Nissan organizou uma equipe secreta, incluindo integrantes do conselho de administração, para investigar internamente as suspeitas de destruição de provas por Ghosn, de acordo com fontes citadas pela Kyodo.

Especialistas falam em golpe para derrubar Ghosn

A imagem de executivo ganancioso, fraudador e que "pecou" pela ambição desmedida, como apontam os japoneses, não convence muitos analistas franceses. Eles identificam claros elementos de uma trama costurada para tirar o talentoso executivo da presidência do grupo, criado em 1999.

Na época, a Nissan estava à beira da falência e era cobiçada por várias concorrentes. Mas a Renault vence a disputa por ter o Estado francês como acionista, uma garantia importante para a transação. Carlos Ghosn desembarca na Nissan, promove uma revolução gerencial, demite 21 mil empregados, troca os fornecedores e evita a falência. Três anos depois, a Nissan volta a dar lucros e o brasileiro se torna um herói no Japão, mas sem deixar de ser considerado um “estrangeiro”.