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“Comunidade internacional espera responsabilidade ambiental do Brasil”, diz especialista

Por Adriana Moysés

A COP24 começou nesta semana em Kattowice, na Polônia. Enquanto isso, no Brasil, o presidente eleito Jair Bolsonaro desistiu de sediar a COP25, prevista para o ano que vem. Em entrevista à RFI, André Ferretti, coordenador do Observatório do Clima, disse que o país precisa dar mais destaque à questão florestal se quiser ter relevância na transição ecológica.

As ONGs brasileiras e os países em desenvolvimento cobram financiamento dos países desenvolvidos, que se comprometeram a destinar US$ 100 bilhões de ajuda aos países que não têm condições de se adaptar ou de desenvolver tecnologia de baixo carbono até 2020. Mas isso não tem acontecido, destaca o coordenador do Observatório do Clima.

Entre 2005 e 2010, houve uma redução significativa do desmatamento na Amazônia e, por consequência, das emissões. "Passamos de mais de 30 mil quilômetros quadrados por ano de floresta desmatada para algo em torno de 8 mil quilômetros quadrados por ano. O problema é que nos últimos sete, oito anos, essa redução ficou estagnada", explica. Ferretti ressalta que o Brasil ainda tem uma emissão per capta maior que a média mundial, sendo necessário diminuir as emissões na agropecuária e no que os ambientalistas chamam de mudança de uso do solo, os setores que mais produzem gases poluentes.

Brasil será coadjuvante

"O mundo precisa diminuir as emissões de gases de efeito estufa [implicados no aquecimento global] e existe atualmente uma enorme demanda por tecnologias de baixa emissão”, disse André Ferretti. “O Brasil é um dos maiores produtores de gêneros alimentícios do planeta e poderia ser o maior produtor de alimentos sustentáveis do mundo, com uma agropecuária de baixo carbono. Mas o que ele está pondo sobre a mesa? Que não está alinhado com esses objetivos".

O coordenador do Observatório do Clima lembra que os mercados externos demandam produtos com responsabilidade ambiental e sustentabilidade. "Se o Brasil não tiver uma produção agropecuária que respeite esses parâmetros ambientais, ele vai depender de mercados periféricos, e, na questão da diplomacia global, o Brasil será um mero coadjuvante, não vai mais desempenhar o papel estratégico que veio desempenhando desde a Rio 92, quando foram firmadas as três convenções da ONU sobre diversidade biológica, mudanças climáticas e combate à desertificação", recorda Ferretti.

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