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Representante dos delegados da Polícia Federal diz ser contra banalização das armas no Brasil

Por Stephan Rozenbaum

A RFI conversou com Tania Prado, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo (SINDPF-SP). Ela é graduada em Direito pela Universidade de São Paulo, mestre em Segurança Pública na Universidade Jean Moulin em Lyon, na França, e já presidiu inquéritos de várias operações da Polícia Federal. Em passagem por Paris, nesta quinta-feira (6), ela falou da expectativa da corporação para os próximos quatro anos.

“Nos últimos tempos, a Polícia Federal (PF) sofreu muito com cortes em seu orçamento, com ingerências, mudança de diretor geral, então esperamos que haja um planejamento a longo prazo para fortalecer a PF”, afirmou Tania Prado. A presidente do SINDPF-SP contou também que a corporação vê com bons olhos a chegada de Sérgio Moro no governo de Jair Bolsonaro. “Foi uma surpresa para nós quando o juiz Sérgio Moro aceitou o cargo de ministro da Justiça. Ele é uma pessoa que conhece bem os problemas que levaram à corrupção, a forma como aquele mecanismo estava instalado ali. Esse conhecimento dele, levado ao poder executivo poderá abrir grandes possibilidades de novas frentes dentro das próprias investigações e da segurança pública como um todo”, explicou.

A nova direção da PF disse, aliás, que pretende reestruturar e reforçar o grupo responsável por investigar perante o Supremo Tribunal Federal (STF) crimes cometidos por ministros e políticos em exercício do mandato. O setor é tido como essencial para o combate à corrupção, algo que Moro definiu como prioridade.

Autonomia da PF

“Ao mesmo tempo, nós temos a nossa bandeira, que é a autonomia da PF. Não podemos basear a instituição em somente uma pessoa importante que esteja ocupando o cargo de ministro da Justiça. Afinal, nos últimos tempos, a PF sofreu muito. No ano passado, vimos aquela situação em que não se tinha nem dinheiro para fazer a expedição do passaporte. Isso era apenas um dos problemas, porque hoje nós temos uma questão muito séria da falta de efetivo”, ressaltou Tania.

“A Polícia Federal parou de crescer em um certo momento, e eu acredito que foi uma represália contra os trabalhos que a PF vinha fazendo, deixou de receber investimentos, não conseguiu fazer com que projeto importantes andassem. Com isso a PF ficou de mãos atadas, e mesmo assim conseguiu levar um número importantes de operações adiante”, afirmou.

Porte de armas

A presidente do SINDPF-SP também falou da questão do porte de armas, uma das bandeiras da campanha de Jair Bolsonaro durante as eleições. “A arma é uma faca de dois gumes. Porque nós vimos várias vezes colegas policiais, que muitas vezes estão armados, mas é impossível você conseguir prestar atenção o tempo todo no seu ao redor. Algumas vezes, o fator surpresa aparece, o ladrão se aproveita disso, e o policial, mesmo com treinamento, não consegue reagir a tempo e infelizmente muitos falecem”, explicou.

“As pessoas precisam entender que não é tão simples assim de reagir a um assalto. Na verdade, é mais fácil evitar ser abordado por um criminoso, estar em estado de alerta, não ficar olhando pro celular andando na rua, do que reagir. Por isso, eu sou contra a liberação e a banalização das armas para o cidadão, justamente porque vemos os próprios colegas morrendo em assaltos”, finalizou Tania Prado.

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