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Relações entre Brasil e França vão se deteriorar com política ambiental de Bolsonaro, diz pesquisador

Por Silvano Mendes

Jair Bolsonaro começou sua primeira semana como presidente do Brasil confirmando algumas das promessas feitas durante a campanha. Uma delas foi retirar da Funai a demarcação das terras indígenas, que passa agora a ser uma atribuição do ministério da Agricultura. A decisão, criticada por associações e ONGs dentro e fora do país, dá o tom da política ambiental do novo governo. Para falar sobre o assunto, a RFI conversou com o pesquisador francês François-Michel Le Tourneau, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) da França, que tem entre seus temas de estudo a Amazônia brasileira.

O governo só está começando. No entanto, temos ideias de onde ele quer chegar. Tem duas direções principais, a primeira é a promoção do agronegócio e o afrouxamento de todas as regras ambientais, com uma inspiração clara nos EUA”, afirma François-Michel Le Tourneau. “Esse governo vai tentar responder uma outra reivindicação da bancada ruralista, que é abrir as terras indígenas à exploração, limitar a demarcação ou até reduzir as áreas já existentes.”

De acordo com o pesquisador francês, não querer sediar a COP25 demonstra a ruptura, em termos de pauta ambiental, do novo governo. “É um símbolo muito claro da mudança de política. Ao não sediar essa nova conferência internacional, o governo quer mostrar que, a partir de agora, ele vai fazer uma política ambiental mais focada na exploração do que na proteção do meio ambiente”, analisa Le Tourneau.

Paradoxalmente, a Guiana Francesa, vizinha do Brasil, pode se beneficiar com a nova vertente ambiental do governo Bolsonaro, como explica o especialista. “Um dos grandes problemas da Guiana Francesa é a imigração de garimpeiros brasileiros para explorar suas jazidas de ouro. Parte da motivação é o fato de que a Polícia Federal brasileira é mais rigorosa do que a francesa. Se o governo do Brasil afrouxar a fiscalização, pode ser que isso ajude a Guiana Francesa, porque os garimpeiros vão passar a explorar os recursos de seu país.”

Relações diplomáticas com a França devem ficar escassas

Com relação ao impacto da política ambiental de Bolsonaro no elo do Brasil com a França, Le Tourneau acredita que o presidente Emmanuel Macron não reconhecerá como “justas e legítimas” as ideias e intenções do governo para o setor do meio ambiente. “Com certeza, vai haver um esfriamento das relações diplomáticas e de pesquisas científicas. (…) O que vai sobrar são as relações culturais, de turismo e de proximidade entre brasileiros e franceses, e espero que essa permaneça.”

François-Michel Le Tourneau diz que, entre os intelectuais franceses, há uma preocupação quanto aos prováveis cortes nos investimentos em pesquisa no Brasil, sobretudo em áreas como as ciências sociais ou ambientais. “A preocupação já era grande desde o governo Temer e provavelmente só vai aumentar. Mas outra coisa que preocupa é a visão do novo governo do que é a academia e para quê serve a universidade. A orientação que será tomada será provavelmente muito diferente daquela que domina as grandes instituições internacionais, dificultando ainda mais as relações com a França”, conclui o pesquisador.

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