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Carlos Ghosn Holanda Renault

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Ghosn tinha domicílio fiscal na Holanda para pagar menos impostos, segundo Libération

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Carlos Ghosn compareceu mais magro na primeira audiência na justiça japonesa, dia 8/1/19. Kyodo/Reuters

O presidente da Renault, o franco-libanês brasileiro Carlos Ghosn, detido no Japão desde novembro, não é mais residente fiscal na França desde 2012, mas é domiciliado fiscal na Holanda, país considerado mais clemente nessa área. A informação é do jornal francês Libération desta quinta-feira (10). A Renault nem o ministério da Economia da França quiseram comentar a informação.


Em 2012, Carlos Ghosn “escolheu domiciliar seus impostos nos Holanda, onde está instalada a Renault-Nissan BV, a holding holandesa que, a partir de 2002, controla a aliança entre os dois construtores automobilísticos”, escreve Libération.

Holanda para pagar menos impostos

Até 2012, Ghosn estava sujeito ao Imposto Sobre a Fortuna (ISF), que não existe na Holanda, continua o jornal. Além disso, o executivo se livra da chamada contribuição excepcional sobre os altos rendimentos (CEHR), criado quando o socialista François Hollande estava no poder. Libération lembra que 2012 “corresponde a uma alta das taxas do ISF, com a esquerda de volta ao poder”.

Questionada pela AFP, a Renault alegou “informações pessoais” e não quis fazer mais nenhum comentário.

A administração fiscal não quis confirmar ou negar a informação, explicando não poder se exprimir sobre casos específicos “sem infringir a lei”. O ministério da Economia produziu uma resposta similar.

Um porta-voz do ministério holandês das Finanças, responsável pelo Fisco, indicou nesta quinta-feira (10) à AFP que a lei holandesa proibia ao Fisco e às autoridades de divulgar esse tipo de informação.

Obrigação de pagar impostos na França

No dia 30 de dezembro, o ministro francês das Contas Públicas, Gérald Darmanin, estipulou que os presidentes de empresas cotadas na Bolsa, ou no caso de o Estado ser acionário, deveriam obrigatoriamente serem residentes fiscais na França. O Estado francês detém 15% do capital da Renault.

Ghosn está preso desde 19 de novembro no Japão por suposta malversação de fundos. O tribunal de Tóquio rejeitou, sem surpresas, um pedido de liberdade para Ghosn, um dia após seu primeiro comparecimento diante da justiça.

Ghosn, que se diz inocente, declarou que “foi acusado falsamente e detido de maneira injusta”. A Renault nomeou um substituto interino para o cargo, mantendo Carlos Ghosn na presidência do grupo. A Nissan e a Mitsubishi Motors afastaram o executivo de seus respectivos conselhos de administração.

O executivo tem tido uma forte febre desde quarta-feira (9) e os interrogatórios foram suspensos hoje, segundo a mídia japonesa, citando os advogados. O médico que o examinou disse que Ghosn precisava de repouso.