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Ex-ativista Cesare Battisti é entregue à Itália depois de 37 anos foragido

O ex-ativista italiano, Cesare Battisti, que integrou o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, nos anos 70, foi entregue às autoridades italianas no aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, por volta das 17h deste domingo (13). A previsão é que o avião chegue à Itália por volta do meio-dia desta segunda-feira (14).

Rafael Belicanta, correspondente da RFI em Roma, na Itália

O ex-ativista Cesare Battisti deverá iniciar a cumprir imediatamente a pena de prisão perpétua determinada pela Justiça italiana em 1991, que prevê que o condenado seja levado à prisão mais próxima do local de pouso em solo italiano. Mas, ao que tudo indica, ele poderá ser encaminhado à Penitenciária de Rebibbia, em Roma. A previsão do governo italiano é que o avião da Força Aérea pouse no aeroporto de Roma Ciampino por volta do meio-dia desta segunda-feira (14).

Houve muitas negociações até que uma decisão de enviar Battisti para a Itália fosse tomada. Antes do pronunciamento das autoridades bolivianas, o ministro do Gabinete da Segurança Institucional, general Augusto Heleno, confirmou que um avião da Polícia Federal fora deslocado à Bolívia para que Battisti fosse levado de volta ao Brasil para, só então, seguir rumo à Itália.

Mais tarde, em uma nota conjunta do Itamaraty e do Ministério da Justiça, o governo brasileiro explicou que “ofereceu facilitar o embarque pelo território nacional e, devido à urgência, foi encaminhada uma aeronave da Polícia Federal brasileira à Bolívia. No entanto, optou-se pelo envio direto do prisioneiro à Itália”. De fato, não há um acordo de extradição entre Itália e Bolívia, o que faz com que seja aplicada a decisão da Justiça italiana de prisão perpétua. Se Battisti tivesse sido extraditado do Brasil, poderia cumprir no máximo 30 anos de cadeia, como prevê um acordo firmado entre Brasília e Roma em 1991.

Entrada ilegal

Battisti entrou na Bolívia de forma ilegal, segundo o Ministro da Casa Civil da Bolívia, Carlos Romero, que determinou expulsão do ex-ativista. Depois da decisão, a Defensoria Pública boliviana comunicou que, em 21 de dezembro Cesare Battisti, fez um pedido de exílio à Comissão Nacional do Refugiado da Bolívia (CONARE).

No documento de 4 páginas Battisti escreveu que, após a "nefasta coincidência" da eleição de um governo de "extrema-direita na Itália e outro no Brasil", surgia  "novamente na situação de pedir ajuda a um país de princípios democráticos, como a Bolívia". Até o momento da extradição não houve nenhuma resposta por parte da CONARE. A praxe da Comissão é informar os requerentes de exílio político por escrito sobre a decisão de acatar ou não o pedido. A decisão final coube ao presidente Evo Morales, que afirmou: "o italiano deve ser entregue às autoridades italianas, sem passar pelo Brasil”.

Fim de uma fuga de 37 anos

Com a prisão, Battisti chega ao fim de uma fuga de 37 anos. Ele fugiu da prisão em 1981, se escondeu em Paris e logo depois foi para o México. Desde então nunca mais pisou na Itália. Quatro anos após fugir da cadeia, foi julgado à revelia e condenado à prisão perpétua por 4 assassinatos, dois cometidos e participação em outros dois. Em 1991, a sentença foi confirmada pela Corte Suprema italiana (Cassazione).

Depois de 10 anos no México, voltou a fugir para a França onde viveu por 15 anos sob proteção do Eliseu, mas teve que deixar o país com a mudança de governo. Em 2004 fugiu para o Brasil e viveu foragido até ser preso em Copacabana, em 2007. Foi solto em 2011, após o ex-presidente Lula negar a extradição e conceder-lhe o status de refugiado político. Em 2017 voltou a ser preso, desta vez na Bolívia, mas três dias depois estava livre novamente. Após o ex-presidente Michel Temer autorizar a extradição, voltou a ficar foragido em dezembro do ano passado até ser preso neste sábado, em Santa Cruz de la Sierra.

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