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Davos Brasil Economia Jair Bolsonaro

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Em Davos, Bolsonaro promete abrir economia do Brasil e realizar reforma da Previdência

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O presidente Jair Bolsonaro durante discurso no Fórum de Davos. REUTERS/Arnd Wiegmann

“Estou emocionado, honrado, de me dirigir a esta audiência de prestígio”, disse Jair Bolsonaro na abertura de seu breve pronunciamento no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta terça-feira (21). “Esta é a minha primeira viagem internacional, prova da importância que atribuo às pautas de Davos”, afirmou o presidente brasileiro, em seu breve discurso de abertura, que durou 6 minutos.


“É preciso mostrar para o mundo o momento único que vivemos em nosso país”, disse Jair Bolsonaro, que retomou em Davos os pontos principais da retórica que defendeu durante toda a campanha presidencial de 2018, no Brasil.

Sem medir elogios à sua equipe, o presidente apresentou os ministros que o acompanhavam em Davos. “Assumi o Brasil numa profunda crise ética, moral e econômica. [..] Meu ministro Sérgio Moro é o homem certo para garantir o sucesso do combate à corrupção”, sublinhou, citando também os ministros da Economia, Paulo Guedes, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

“Não queremos uma América bolivariana”, disse, em relação à política regional no continente, quando perguntado por Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum de Davos, sobre medidas de integração econômica. “A esquerda não prevalecerá nesta região”, reforçou Bolsonaro, “o que acho muito importante para a região e para o mundo”, completou o presidente brasileiro.

“Somos um dos 40 destinos turísticos mais visitados do mundo. O Brasil é um paraíso, mas pouco conhecido”, enfatizou. Interessado em demonstrar o cuidado do Brasil com o meio ambiente, o que garante o escoamento de produtos para a Europa, Bolsonaro insistiu: “O Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente do mundo. Nenhum outro país do mundo tem as florestas que temos”.

Jair Bolsonaro - Fórum de Davos 22/01/2019 Ouvir

Ele afirmou ainda que o país dedica 9% de seu território à agricultura, que cresce graças “à tecnologia e à rentabilidade dos produtores brasileiros”. “Trabalharemos para a compatibilização da proteção do meio ambiente e as práticas agrícolas”, disse. “Os que criticam têm muito que aprender conosco”, concluiu.

Confiança e abertura econômica

Questionado sobre como operar as mudanças necessárias, Bolsonaro não soube dar muitos detalhes, mas insistiu na confiança que possui em sua equipe. “É preciso que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós”, afirmou.

Ele afirmou que “o Brasil possui uma economia relativamente fechada ao comércio internacional”, mas que “isso vai mudar”. “Até o final do meu mandato, seremos um dos 50 melhores países para se fazer negócio”, disse o presidente brasileiro, que aposta nas reformas da Previdência e fiscal para “garantir a estabilidade”.

OCDE e OMC

"O viés ideológico deixará de existir, para integrar o Brasil ao mundo", disse Bolsonaro. "Buscaremos integrar o Brasil [...] às melhores práticas internacionais, como aquelas que são adotadas e promovidas pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), declarou, acenando para a organização que reúne 36 países. Na sequência, acrescentou que o Brasil defenderá de maneira ativa a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) para, segundo ele, eliminar práticas desleais de comércio.

Ele ainda defendeu “a família, a propriedade privada, a vida” e os “verdadeiros direitos humanos”. Com o lema “Deus acima de tudo”, ele disse que tem “certeza de que conseguiremos fazer as reformas necessárias para tirar o peso do Estado sobre quem produz e empreende”.

Bolsonaro afirmou ainda que, durante as eleições brasileiras, sua campanha gastou "menos de US$ 1 milhão", teve apenas oito segundos de tempo de propaganda gratuita na televisão e foi "injustamente atacado a todo tempo", mas, mesmo assim, conseguiu a vitória.

Jair Bolsonaro é o quinto presidente do Brasil a participar do evento na Suíça. Já participaram de Davos os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (1998), Luiz Inácio Lula da Silva (2003, 2005 e 2007), Dilma Rousseff (2014) e Michel Temer (2018).