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Bolsonaro não ocupa espaço deixado por ausências de Trump e Macron em Davos

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Discurso do presidente brasileiro em Davos Captura de vídeo

A imprensa francesa continua acompanhando os passos do presidente Jair Bolsonaro em Davos. Apesar do enorme espaço deixado na agenda pela ausência dos líderes dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido, o Brasil não suscitou grande entusiasmo no primeiro dia do evento, observa o jornal Le Monde.


Em sua crônica de Davos, a editorialista do Monde Sylvie Kauffmann afirma que uma atmosfera "carregada" pesa este ano sobre o Fórum Econômico Mundial. Os desequilíbrios da globalização, que têm provocado escolhas políticas inesperadas e revolta em alguns países, esvaziaram parcialmente o encontro.

Segundo ela, "o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, alçado ao poder pela revolta do eleitorado brasileiro, teve sérias dificuldades para ocupar, na terça-feira, o palco vazio pela ausência de três ex-estrelas de Davos – Donald Trump, Theresa May e Emmanuel Macron". Os três ficaram em seus países para resolver crises agudas. "As falhas no atual sistema econômico são gritantes", destaca. A jornalista considera que Bolsonaro garantiu o "serviço mínimo", e cita com uma ponta de ironia o momento em que ele "convidou os investidores e empresários a descobrir as praias do Brasil e a floresta amazônica".

Le Monde reproduz o comentário do consultor Nariman Behravesh, frequentador assíduo do Fórum: "Bolsonaro se contentou em dar declarações para satisfazer o público presente sem assumir riscos". Certamente, com esse tipo de fala, escreve Le Monde, o brasileiro não deixará marcas no templo da elite mundial.

Le Figaro diz que investidores viram oportunidades

Em seu caderno de Economia, Le Figaro analisa o discurso de abertura de Bolsonaro. "Ele tentou tranquilizar os empresários presentes", mas acenou com as mesmas promessas de campanha: reduzir a carga fiscal e fazer uma reforma da Previdência. Bolsonaro não revelou nada de novo, à exceção do momento em que afirmou que vai continuar a reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Mesmo assim, o correspondente do Figaro notou que "vários homens de negócios aprovaram o tom do discurso do presidente brasileiro sobre novas oportunidades no Brasil".

O diário econômico de referência na França, Les Echos, considera que Bolsonaro foi reprovado em seu primeiro teste internacional diante de investidores. O jornal destaca que ele sequer ocupou a meia-hora que lhe foi concedida para discursar. O brasileiro buscou defender sua equipe "técnica" de ministros, para desviar a atenção das pressões políticas, mas "não convenceu o auditório que o aplaudiu de maneira contida", escreve Les Echos.