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Soprano paraense começou tarde carreira lírica, mas hoje canta na Ópera Estatal de Berlim

A soprano brasileira Adriane Queiroz é prova de que nem sempre uma carreira de sucesso na música erudita depende de um início precoce. A paraense começou relativamente tarde. Ela trabalhava como professora quando se apaixonou pelo canto lírico. Hoje ela canta na Staatsoper de Berlim.

Do correspondente da RFI Brasil em Berlim Márcio Damasceno

“No canto lirico, você geralmente começa no piano, você começa a ter uma educação musical desde os 12 ou 10 anos de idade. E essa base, infelizmente, eu não tive na infância”, conta. “Então, comecei muito tarde, já com 23, 24 anos, e já direto no canto lírico. Lá em Belém do Pará, eu fazia teatro, quando comecei a me apaixonar pelo canto lírico, mesmo tendo uma outra profissão”, ressalta.

Ela conta que quando chegou à Áustria, aos 27 anos, para estudar numa universidade em Viena, já era considerada de idade relativamente avançada. “Eu já era bem velha para os padrões europeus, porque geralmente com 27 anos você está terminando a universidade de canto e não começando a universidade de canto, como foi o meu caso.”

Após quatro anos em Viena, Adriane se mudou para a Alemanha, onde desde 2002 faz parte do elenco fixo da Staatsoper, a Ópera Estatal de Berlim. A soprano é destaque da programação da casa de ópera berlinense, atuando neste mês em óperas como A Flauta Mágica e Bodas de Fígaro.

Em fevereiro, ela estreia uma montagem moderna e inédita da Flauta Mágica, do diretor americano Yuval Sharon. Além disso, a brasileira também é convidada para os principais palcos eruditos alemães e europeus, como Munique, Salzburgo, Hamburgo e Stuttgart.

Saudades de Viena

Além de periodicamente estrelar em palcos brasileiros, de vez em quando ela volta a se apresentar em Viena, onde mata a saudade de seus tempos de universidade. A artista conta que lá o trato com as estrelas líricas é outro. “É uma diferença absurda. Porque a música em qualidade nos dois polos, quanto a isso não há o que discutir. Mas a forma como se tratam os artistas é totalmente diferente”, afirma.

“Em Berlim, você, como artista, é sempre tratado como uma pessoa qualquer. E nós somos, na verdade, uma pessoa qualquer, também estou de acordo. Mas em Viena existe um tratamento especial para os artistas e desportistas“, explica. “Eles realmente te param na rua e perguntam ‘é você que está fazendo aquele papel? Pode me dar um autógrafo?‘ Eles têm realmente esta outra forma de proteção com os artistas, principalmente os líricos. É uma coisa absurda. Isso não existe em Berlim“, frisa a soprano.

Após quase 17 anos radicada em Berlim, Adriane se diz apaixonada pela capital alemã, sobretudo pela diversidade. “Berlim tem esse mix. Ao mesmo tempo em que você tem o normal, o cotidiano, você tem também o mágico, você pode ir a lugares mágicos, você pode assistir coisas diferentes. Em Viena você tem também essa possibilidade, mas em menor quantidade“, ressalta, “E essa mistura te dá a possibilidade de se envolver com outras pessoas, de ver outras pessoas na rua, não ver apenas um tipo de pessoa. Acho muito estranho quando ando numa cidade e vejo apenas um tipo de figurino, uma forma de se vestir, uma forma de andar, uma forma de estrutura das ruas, Eu não gosto. Eu gosto dessa mistura. É por isso que eu amo Berlim.“

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