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Bolsonaro se submete a cirurgia para reconstruir intestino

A operação acontece nesta segunda-feira (28) em São Paulo. O vice Hamilton Mourão assumirá a presidência por 48h. Depois, Bolsonaro irá despachar do hospital

Raquel Miúra, correspondente da RFI em Brasília

A previsão é de que a cirurgia no Hospital Israelita Albert Eistein dure três horas, mas o tempo dependerá das aderências internas do intestino provocadas por outras duas cirurgias a que Jair Bolsonaro já foi submetido desde o atentado que sofreu em setembro do ano passado, em Juiz de Fora. A equipe de oito profissionais, incluindo cirurgiões e anestesista, só terá a noção exata durante o procedimento, marcado para iniciar às 6h, horário de Brasília.

Os médicos farão a reconstrução do intestino, que foi separado em duas partes para evitar a contaminação da área atingida pela facada. Houve um desvio para que as fezes fossem depositadas num coletor externo, a bolsa de colostomia, que após a cirurgia desta segunda-feira (28) não será mais usada pelo presidente. Durante 48 horas, período mais delicado do pós-operatório, Bolsonaro ficará sedado boa parte do tempo e não poderá ter qualquer atividade.

"Assumo a presidência na segunda e na terça-feira, já que ele fica dois dias em situação incomunicável. Mas quarta ele já tem condições de despachar do hospital", afirmou o vice Hamilton Mourão, que já assumiu a presidência durante a viagem de Bolsonaro a Davos, no Fórum Econômico Mundial.

Serão ao menos dez dias de internação no hospital. O governo montou para esse período um gabinete temporário e provisório, para que Bolsonaro despache dali mesmo. Além da mulher, Michelle Bolsonaro, que o acompanha, assessores mais próximos, o porta voz e o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Agusto Heleno, estão em São Paulo para auxiliar o presidente.

Depois disso, Bolsonaro ainda terá de seguir orientações médicas para a recuperação plena, que inclui limitações no levantamento de peso e nas horas sentadas. A agenda de rotina mais intensa, com reuniões e viagens, pode levar no mínimo três semanas.

A expectativa do vice Mourão é de realizar na terça-feira (29) a reunião ministerial em Brasília. O assunto definido previamente com Bolsonaro há uma semana era a pauta do legislativo, como as reformas, mas a tragédia em Brumadinho, Minas Gerais, deve tomar conta do encontro.

Tragédia em Minas

Diante desse novo desastre em Minas, entidades ambientais vão pressionar o governo federal a rever o discurso pró empresas e pró setor rural quando o assunto é o meio ambiente. O ministro da área, Ricardo Salles, tem defendido uma flexibilização para agilizar a concessão de licenças ambientais.

"A reincidência destes desastres evidencia os efeitos da impunidade e a necessidade de um forte combate aos discursos e às práticas que estão em consonância com a proposta governamental de flexibilização da legislação ambiental e enfraquecimento dos órgãos de controle", afirmou em nota o Observatório da Educação Ambiental e da Rede Brasileira de Educação Ambiental.

Organizações preparam também mobilizações em algumas cidades brasileiras para chamar a atenção sobre a falta de punição na área ambiental. Até aqui 350 associações internacionais e estrangeiras assinaram o documento divulgado na sexta-feira.

"Já há uma mobilização grande, uma reunião de entidades para fazer pressão mesmo porque esse novo desastre, envolvendo mais uma vez rompimento de barragem, mostra que não se pode afrouxar a lei nem fiscalização. O ministro Salles para nós é uma figura muito mais antiambiental, até porque ele facilitou negócios de mineradoras. Esperamos que essa postura dele e do governo mude frente ao que estamos vendo em Minas", afirmou João Luís Lobo Monteiro de Castro, pesquisador em mineração e direitos humanos da Universidade Federal de Juiz de Fora.

O presidente Bolsonaro sobrevoou a região atingida pelo lamaçal de um reservatório de rejeitos da exploração de ferro que se rompeu na última sexta-feira (25). Governos estadual e federal têm como foco agora o socorro às vítimas, a busca pelos desaparecidos, o atendimento aos desabrigados. Por outro lado cresce a pressão para que as investigações não demorem e que haja punição aos envolvidos.

A empresa Vale diz que tinha autorização para o uso da barragem, que afirma ter ficado desativada por um tempo. Na reunião no ano passado em que foi aprovado, por oito votos a um, a pedido da Companhia, o representante do Ibama se absteve de votar alertando para os riscos ambientais.

A Advocacia Geral da União (AGU) afirmou que vai esperar agora laudos técnicos para analisar a extensão do dano e as causas da tragédia para dimensionar a discussão do caso na Justiça e não descarta uma responsabilidade criminal da empresa.

"A responsável por isso, inclusive pelo risco do próprio negócio é a empresa Vale. O que precisamos é aguardar as informações para verificar o tamanho do dano e a partir daí verificar que tipo de ação é possível encaminhar. Uma responsabilização civil, administrativa e até mesmo criminal", afirmou o AGU André Mendonça

Perguntado se há espaço para uma negociação com a empresa de mineração, que é uma das donas da Samarco, companhia responsável pela barragem que se rompeu em 2015 na região de Mariana, Minas Gerais, o advogado geral afirmou que a punição agora deve ser mais rigorosa pois se trata da repetição de uma tragédia:

"Não há como aplicar os mesmos parâmetros do que já foi feito no passado porque se trata de um caso reincidente. E nós ja temos informações de que o número de vítimas é bem maior agora", afirmou.

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