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Compositor francês Debussy influenciou até Bossa Nova, lembra maestro Isaac Chueke

Por Elcio Ramalho

“Debussy, seu universo, sua estética, os ecos de sua música no Brasil” foi o mais recente colóquio organizado pelo Grupo Pesquisas das Músicas Brasileiras (GRMB, na sigla em francês) vinculado ao Iremus, considerada a maior instituição de pesquisa musical da França e da Europa.

“O GRMB é um laboratório voltado não só para a pesquisa como para a divulgação da música brasileira, com o objetivo de apresentá-la aos franceses, que são muito curiosos em relação à nossa cultura”, destaca o maestro Isaac Chueke, co-fundador do CRMB e atual membro do comitê científico. Apesar do foco na diversidade dos ritmos e estilos musicais brasileiros, o Grupo tem feito muitas atividades em torno da música clássica.

O evento sobre Claude Debussy foi organizado no âmbito da programação comemorativa dos 100 anos da morte de um dos mais célebres compositores da história da música. “Sua influência não se restringe aos clássicos. Não há quem não concorde que Debussy foi uma figura-mor da música. Até (Tom) Jobim sempre falou da influência de Debussy na sua obra e para a Bossa Nova”, lembrou Chueke, na entrevista à RFI.

O evento em Paris foi uma sequência de uma série de palestras sobre o tema que teve origem no Brasil e permitiu a análise de textos acadêmicos e trabalhos sonoros que destacaram a influência do mestre da música francesa no universo musical brasileiro.

Chueke lembrou que, em 1908, uma exposição na Praia Vermelha, próxima ao Pão de Açúcar no Rio de Janeiro, foi palco da estreia do “Prélude à l’après-midi d’un faune” (Prelúdio à tarde de um fauno, em português), uma das composições mais importantes de Debussy, poucos anos após a criação da obra sinfônica na capital francesa (entre 1892 e 1894). Ou seja, o músico foi apresentado ao país praticamente na mesma época em que fazia sucesso na Europa.

Divulgação da música brasileira na França

Apesar de uma certa dificuldade em termos de apoio e logística, o GRMB tem conseguido nesses últimos 13 anos montar ao menos um evento anual, o que tem sido bastante apreciado pelos participantes e convidados do Grupo. “Muitos dizem ‘que maravilha’ poder realizar esse trabalho da propagação da cultura brasileira na França”, destaca Chueke.    

Na entrevista, o maestro deu exemplos das oportunidades criadas de divulgação do trabalho do grupo. Entre eles, o curso ministrado na Universidade Sorbonne sobre ritmos brasileiros que resultou, em 2013, na organização de uma semana inteira de um evento com conferências e ateliês explorando a diversidade da música brasileira. Na ocasião, pelo interesse despertado nos alunos, o maestro criou um coro de franceses cantando em português para que eles também tivessem contato com o idioma. “Quando podemos, ampliamos esse trabalho”, destaca.  

Nascido no Rio de Janeiro, Chueke tem um vasto currículo dedicado à música com formação erudita e passagens pela Áustria, Alemanha, Estados Unidos e França, além de idas e voltas ao Brasil, sempre intercalando trabalhos de regência, ministrando cursos, trabalhos de pesquisas e intervenções acadêmicas.

Atualmente, Isaac Chueke integra o corpo docente da Escola de Música e Artes do Paraná (Embap/Unespar), onde se dedica à formação de músicos clássicos e regentes. “Todos nós que trabalhamos na área da música temos sempre alguma atividade, seja no magistério, na pesquisa e até na área de administração cultural. Está tudo interligado”, explica.

Com a experiência na área cultural e na educação, o maestro não deixa de lamentar a reorganização dentro do Estado brasileiro promovida pelo governo de Jair Bolsonaro que remanejou a pasta da Cultura como secretaria dentro do Ministério da Cidadania.  

“Pelas notícias que a gente tem recebido até agora, não há muito ânimo. Mas os artistas de um modo geral, no Brasil, em todo o caso, sempre tiveram que lutar muito e os recursos sempre foram muito parcos, escassos. Essa é a realidade, independentemente de se falar desse ou de outros governos. Essa é que é a verdade”, conclui.

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